sexta-feira, novembro 03, 2006

Douro - 1 de novembro de 2006









Natureza é Arte no seu aspecto mais puro.

terça-feira, outubro 31, 2006



Memórias de infância

O som de gargalhadas infantis, a camisola de lã picando o corpo, o suor escorrendo pelo pescoço vindo de corridas loucas, a maciez do saquito sentida na polpa dos dedos. Desfilam por um túnel as recordações de infância.

" É dia do bolinho", "anda,anda" gritam as vozes. Em bando percorriamos as ruas, era dia 31/10. Batiamos às portas e largávamos a cantinela, com um sorriso largo que fazia doer os maxilares de tão prolongado.

As senhoras abriam a porta e gritávamos:

"Bolinhos e bolinhós

Para mim e para vós

Para dar aos finados

Qu'estão mortos, enterrados

À porta daquela cruz.

Truz! Truz! Truz!

A senhora que está lá dentro

Assentada num banquinho

Faz favor de s'alevantar

P´ra vir dar um tostãozinho."

Grande sorriso no rosto recebia a criançada. E, lá vinham com os bolinhos feitos de propósito para aquele dia e para os meninos, ou com nozes ou rebuçados ou amendoins.

Os sacos enchiam-se de guloseimas. E, lá iamos. Bate porta, trauteia a ladainha. Os sacos enchendo,enchendo. Até ao pôr-do-sol. Faces coradas, comendo "as coisas boas" até a náusea fazer parar....

"dia do Bolinho".... diziamos nós. " noite de haloween"....chamam-na , agora.

segunda-feira, outubro 30, 2006


'A Pequena Jerusalém' é como é conhecido o subúrbio de Paris habitado pela primeira geração de imigrantes judeus
Realizadora : karin Albon
Fixem este nome porque não é para esquecer.
Incluido no ciclo de cinema francês que passou no Cidade do Porto.
Filme excelente, que só podia ser realizado por uma mulher.
Conta-nos a estória de uma jovem judia de 18 anos, da sua dicotomia entre a religião e a filosofia.
Da xenofobia francesa, mas também da religião/contra religião.
Com uma sensibilidade feminina mostra-nos imagens de intensa paixão ( que fazem lembrar Elia Kazan). Transmite-nos a culpabilização/castração induzida na mulher pela "má" leitura da religião que induz à privação do prazer sexual.

quarta-feira, outubro 25, 2006

QUEM MATOU O AMOR?

Houve uma vez na história do mundo, um dia terrível em que o Ódio que é o rei dos maus sentimentos, dos defeitos e das más virtudes, convocou uma reunião urgente com todos eles.Todos os sentimentos escuros do mundo e os desejos mais perversos do coração humano chegaram a esta reunião com muita curiosidade para saber qual era o motivo desta reunião.
Quando todos já estavam lá, falou o Ódio:"Reuni-vos aqui a todos porque desejo com todas as minhas forças matar alguém".Todos ali não estranharam muito, pois era o Ódio quem estava falando e ele sempre quer matar alguém, mas, todos se perguntavam, quem seria tão difícil de matar que o Ódio necessitava da ajuda de todos.
"Quero matar o Amor" - disse.
Muitos sorriram com maldade, pois mais de um ali tinha a mesma vontade.O primeiro voluntário foi o Mau Carácter, que disse:"Eu irei e podem ter certeza que num ano o Amor terá morrido, provocarei tal discórdia e raiva que não vai suportar".Depois de um ano se reuniram outra vez e ao escutar o relato do Mau Carácter ficaram decepcionados."Eu sinto muito, bem que tentei de tudo, mas cada vez que eu semeava discórdia, o Amor superava e seguia seu caminho".
Foi então que muito rapidamente se ofereceu a Ambição, fazendo alarde de seu poder:"Já que o Mau Carácter fracassou, irei eu. Desviarei a atenção do Amor, com o desejo por riqueza e pelo poder, isso ele nunca irá ignorar". E começou a Ambição o ataque contra sua vítima, que efectivamente caiu ferida, mas depois de lutar encontrou a cura, renunciando a todo desejo exagerado de poder e triunfo.
Furioso o Ódio enviou os Ciúmes, estes bufões perversos inventaram todo tipo de artimanhas e situações para confundir o Amor com dúvidas e suspeitas infundadas, mas o Amor confuso chorou e pensou que não queria morrer e com valentia e força impôs-se sobre eles e venceu. Ano após ano, o Ódio prosseguiu a sua luta enviando a Frieza, o Egoísmo, a Indiferença, a Pobreza, a Enfermidade e a muitos outros que fracassaram sempre.
O Ódio, convencido de que o Amor era invencível, disse isso aos demais:"Nada pude fazer, O Amor suportou tudo, levamos muitos anos insistindo e não conseguimos".
De repente de um cantinho do auditório levantou-se um sentimento pouco conhecido e que se vestia todo de preto com um chapéu gigante que escondia seu rosto.De aspecto fúnebre como o da morte"Eu matarei o Amor", disse com segurança.Todos se perguntavam quem era aquele que pretendia fazer, sozinho, o que nenhum deles tinha conseguido. O Ódio disse: "Vá e faça".Havia passado pouco tempo, quando o Ódio voltou a convocar a todos para comunicar-lhes que finalmente o Amor morrera.Todos estavam felizes mas também surpresos. E o sentimento do chapéu preto falou: Aqui vos entrego o Amor, totalmente morto e esquartejado. E sem dizer mais nada já estava saindo."Espera.... - disse o Ódio - Em tão pouco tempo você eliminou-ocompletamente, deixando-o desesperado e por isso mesmo não fez o menor esforço para viver! Quem é você?".O sentimento pela primeira vez levantou seu horrível rosto e disse:"Sou a Rotina".

domingo, outubro 22, 2006

Apita o comboio


Lá vai a apitar....


Apita o comboio.....






à beira do rio...




uma vez mais as deusas e deuses foram ao céu, num dia onde o sol brilhou dentro de nós .....

domingo, outubro 15, 2006



do sono cai-te prostrada

a cabeça

sem que no corpo mais nada

adormeça

david mourão ferreira



Uma névoa de mágoa muito antiga

torna-te às vezes quase inantingivel

David Mourão Ferreira

sábado, outubro 14, 2006

MULHERES PORTUGUESAS : SARA AFONSO


Sarah Afonso (13 de Maio de 1899-1983), pintora e ilustradora portuguesa, foi casada com Almada Negreiros.

Sarah nasceu em Lisboa no seio de uma família burguesa, o seu pai era oficial do Exército e sua mãe Alexandrina Gomes Afonso. Viveu a sua juventude no Minho, que a inspirou para uma temática popular de grande beleza e ingenuidade. Em 1924, solteira, parte sozinha para Paris, depois de se ter formado na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo sido uma das últimas alunas do pintor Columbano Bordalo Pinheiro. Paris foi uma experiência marcante. Ali expôs com sucesso no Salon d'Automne. Entre 1928 e 1929, trabalhou no atelier de uma modista fazendo croquis de moda, gosto que lhe ficou, tendo colaborado mais tarde com desenhos de moda para revistas portuguesas. Contra todas as convençõs torna-se a primeira mulher a frequentar o café A Brasileira do Chiado, então exclusiva do sexo masculino. Contemporânea de Bernardo Marques, Carlos Botelho e outros. Expôs no primeiro Salão de Artistas Independentes em 1930. Casou aos 35 anos com José de Almada Negreiros, tendo conciliado a vida de mãe de família e de pintora. Fez uma exposição individual, em 1939 e participou na Exposição do Mundo Português, em 1940. Em 1944 recebeu o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso. Em 1953 integrou a delegação portuguesa à Bienal de São Paulo. Dedicou especial atenção às festas populares e às tradições portuguesas em cores doces e luminosas. Por ocasião do centenário do seu nascimento, em 1999, realizaram-se exposições comemorativas em Viana do Castelo e Porto.

terça-feira, outubro 10, 2006

Não deixem a chuva estragar os vossos planos de fim-de-semana...

As deusas meteram-se à estrada, desta vez até Melgaço e vejam
o que descobriram num fim de semana de chuva:


A Beleza de um dia de chuva.


O encontro e a integração perfeita com a Natureza que nos rodeia.


O Silêncio e a descoberta da outra metade (afinal todo o tempo dentro de si ...)





Umas termas lindas, finalmente a serem dignamente recuperadas pela UNICER

Tudo isto seguido de um maravilhoso passeio pelo Parque Nacional da Peneda Gerês (com sol e chuva) e de uma visita ao Castelo de Lindoso, tirado de um conto de fadas.




sexta-feira, setembro 29, 2006

A " nossa deusita" vai dizer, em breve:




Em especial, para ti, PAPOILA! [ligar o som]

quarta-feira, setembro 27, 2006



Amadeo de Souza-Cardoso nasce a 14 de Novembro de 1887 em Manhufe, próximo de Amarante, e morre em Espinho, vítima de “pneumónica”, ou gripe espanhola, a 25 de Outubro de 1918.Em 1906, parte para Paris com Francis Smith e instala-se no Boulevard de Montparnasse. Estuda Arquitectura, frequentando os ateliês de Godefroy e de Freynet, mas acaba por desistir do curso, por estar mais interessado em desenvolver uma actividade de desenhador e caricaturista, permanecendo atento ao movimento artístico parisiense. Em 1908, começa a assistir regularmente às aulas do pintor espanhol Anglada Camarasa, na Academia Vitti.

NOTA : duas deusitas não foram ver o mar. Foram ver o Museu Souza Cardozo a Amarante. e gostaram. Fica postada uma obra para as deusitas

segunda-feira, setembro 25, 2006

Deusa Airam - Fim do dia, momento suspenso....céu muito enublado com pequenas abertas.
Deusa Papoila - Uma força da natureza em repouso depois da tempestade. Prepara-se para um novo renascer.... Deusa Castanha -Aguardem, já aí está a onda que se segue, vamos lá a dominar a fera....
Deusa Maria - Na crista da onda. Fortes correntes marítimas levem-me para outros mares.


Deusa Borboleta - De onde veio toda esta espuma, será apenas o resultado de muita turbulência a vir ao-de-cima?

Deusa das Águas - Rebentamento no auge. Aguarda novas e mais tranquilas marés.

Deusa da Luz -Tudo reflete e tudo ilumina, mesmo que por dentro se encontre grande agitação.

_____________________________________________________

Como andam as deusas? Perguntei ao Céu e ao Mar e estas foram as respostas....

Para todas vós trago beijos molhados do mar e abraços do tamanho do céu.

Inês

domingo, setembro 24, 2006







Apresentaram-me um novo blog com textos lindos, postados por Daterra.

O nome do blog é ww.umafloreoutrascoisassimples. blogspot.com.

Vão lá fazer uma visita e deixem os vossos comentários.



Não cobiço nem disputo os teus olhos
não estou sequer à espera que me deixes ver através dos teus olhos
nem sei tão pouco se quero ver o que vêem e do modo como vêem os teus olhos
Nada do que possas ver me levará a ver e a pensar contigo
se eu não for capaz de aprender a ver pelos meus olhos e a pensar comigo

Não me digas como se caminha e por onde é o caminho
deixa-me simplesmente acompanhar-te quando eu quiser
Se o caminho dos teus passos estiver iluminado
pela mais cintilante das estrelas que espreitam as noites e os dias
mesmo que tu me percas e eu te percaalgures na caminhada certamente nos reencontraremos

Não me expliques como deverei ser
quando um dia as circunstâncias quiserem que eu me encontre
no espaço e no tempo de condições que tu entendes e dominas
Semeia-te como és e oferece-te simplesmente à colheita de todas as horas

Não me prendas as mãos
não faças delas instrumento dócil de inspirações que ainda não vivi
Deixa-me arriscar o molde talvez incerto
deixa-me arriscar o barro talvez impróprio
na oficina onde ganham forma e paixãotodos os sonhos que antecipam o futuro

E não me obrigues a ler os livros que ainda não adivinhei
nem queiras que eu saiba o que ainda não sou capaz de interrogar
Protege-me das incursões obrigatórias que sufocam o prazer da descoberta
e com o silêncio (intimamente sábio) das tuas palavras e dos teus gestos
ajuda-me serenamente a ler e a escrever a minha própria vida.

Ademar Ferreira dos Santos

quarta-feira, setembro 20, 2006

Olá!

Estou de volta para vos felicitar por tantas coisas lindas....agora que já sei como postar vou estar por aqui mais vezes!

Beijos e abraços
Papoila

sábado, setembro 16, 2006

Mar Sonoro



Já que estamos numa de poemas, não posso deixar de prestar aqui a minha homenagem a uma grande mulher, com quem partilho a mesma paixão pelo mar...

Sophia de Mello Breyner Andresen






Mar Sonoro

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Sophia de Mello Breyner Andresen in "Dia do Mar"

quarta-feira, setembro 13, 2006

Guardador de rebanhos

Adoro Fernando Pessoa, especialmente um dos seus heterónimos, Alberto Caeiro. Aqui fica a minha contribuição para este blog com um dos meus poemas favoritos:

Guardador de Rebanhos - Poema V

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideias tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas)

O mistério das cousas? Sei lá o que é o mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas,
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar nelas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
e luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os lhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.


Alberto Caeiro

sexta-feira, setembro 08, 2006

Poema de Alvaro de Campos

O que há em mim é sobretudo cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
0
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
0
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
0
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
(remetido para o Blog por Iemanjá)
Comentário da Maria: cá para mim neste desvastador e lindissimo poema quando Alvaro Campos se refere a "eles" está a mencionar as "deusas" :) ! que sob o lema " que seja" não ficam cansadas de amar, se apaixonar, chorar, procurar até ao infinito e rir....

segunda-feira, setembro 04, 2006

especialmente para algumas..."A tarde" de Cesário Verde



Cesário Verde (1855 - 1886)
José Joaquim Cesário Verde nasceu em 25 de Fevereiro de 1855 na cidade de Lisboa em Portugal. Filho de um lavrador e comerciante, dedicou-se desde muito jovem a essas actividades. No ano de 1873 matriculou-se no curso de Letras da Universidade de Coimbra, mas frequentou o curso somente por alguns meses. Nesse período, começou a publicar poesias no "Diário de Notícias", no "Diário da Tarde", no "Ocidente" e em alguns outros periódicos. Nessa época também surgem os sintomas mais agudos da tuberculose, doença que o levaria a morte em 18 de Julho de 1886. No ano seguinte, Silva Pinto, seu amigo dos tempos de universidade, reúne seus poemas em um livro intitulado "O Livro de Cesário Verde".

De Tarde


Naquele piquenique de burguesas,

Houve uma coisa simplesmente bela,

E que, sem ter história nem grandezas,

Em todo o caso dava uma aguarela.

0

Foi quando tu, descendo do burrico,

Foste colher, sem imposturas tolas,

A um granzoal azul de grão-de-bico

Um ramalhete rubro de papoulas.

o

Pouco depois, em cima duns penhascos,

Nós acampámos, inda o Sol se via;

E houve talhadas de melão, damascos,

E pão-de-ló molhado em malvasia.

o

Mas, todo púrpuro a sair da renda

Dos teus dois seios como duas rolas,

Era o supremo encanto da merenda

O ramalhete rubro das papoulas!

quarta-feira, agosto 23, 2006

E como dos homens também reza a história...

e a pedido, aqui vão os nossos reis da 1ª Dinastia e respectivos cognomes:

D. Afonso Henriques, o Conquistador - 1108/1185
D. Sancho I, o Povoador - 1154/1211
D. Afonso II, o Gordo - 1185/1223
D. Sancho II, o Capelo - 1209/1248
D. Afonso III, o Bolonhês - 1210/1279
D. Dinis, o Lavrador - 1261/1325
D. Afonso IV , o Bravo - 1290/1357
D. Pedro I , o Justiceiro, o Cruel (o Apaixonado, na minha modesta opinião) - 1320/1367
D. Fernando I , o Formoso, o Inconstante - 1345/1383 , este último casado com uma verdadeira "Rosa Brava" com direito a post próprio numa póxima intervenção.

Para "responder" à Inês e à Maria

SOROR MARIANA ALCOFORADO




Em 1810, a nota publicada no jornal L’Empire, de Paris, pelo erudito Boissonade, trouxe para a ribalta o nome, até aí desconhecido; de Mariana Alcoforado como a autora das já muito célebres Lettres Portugaises, cinco cartas de amor dedicadas ao cavaleiro francês Noël Bouton, Marquês de Chamilly.
Mariana Alcoforado foi uma das religiosas da Ordem de Santa Clara, do Convento da Conceição de Beja, local onde actualmente funciona o Museu Regional da cidade. Natural de Beja, nasceu a 22 de Abril de 1640, entrou na clausura com 11 anos, vindo a professar aos 16. Porteira, Escrivã e Vigária, foram alguns dos cargos que exerceu durante a sua longa vida conventual. Faleceu em 28 de Julho de 1723.
As cartas de amor são a sua paixão sublime não correspondida, que perdura no tempo e tem despertado o interesse de todo o mundo. Desde a edição princeps de Claude Barbin, datada de 4 de Janeiro de 1669, com o título de “Lettres Portugaises Traduites en François”, até hoje, sucederam-se centenas de edições em diferentes idiomas, poemas, peças de teatro, filmes, obras de interpretação plástica e musical.
O Museu conserva ainda a grande janela gradeada, mais conhecida como a Janela de Mértola, das Portas de Mértola ou de Mariana, verdadeiro ex-libris do convento, do museu e da cidade, através da qual a religiosa viu tantas vezes passar aquele que a encantava e que num dia especial a destacou com o seu olhar e lhe fez sentir os primeiros efeitos da sua infeliz paixão.

terça-feira, agosto 22, 2006

mulheres portuguesas que saíram do anonimato

Acho giro neste blog fazermos um levantamento ( homenagem) às mulheres portuguesas que, por qualquer razão, ficaram na memória, dando a conhecer a sua " estória".
Será que na memória colectiva nos vamos reencontrar com elas?
Não interessa o porquê, a razão do não esquecimento- até pode ser a "estória" de uma avó ou mãe, ou um episódio da sua vida que a notabilizou.
Aceitam a proposta?
Dou inicio com Josefa de Óbidos.

Aqui vai

n. 1634. f. 22 de Julho de 1684.

Assim conhecida a distinta pintora que viveu no século XVII, e se chamava Josefa Ayala Figueira.
N. em Sevilha em 1634, para onde seu pai, Baltazar Gomes Figueira, pintor, mas de pouca fama, que era natural de Óbidos, fora residir, e ali casara com D. Catarina de Ayala e Cabrera.
Quando em 1640 se proclamou a independência de Portugal e D. João IV foi aclamado, Baltazar Figueira veio com sua família viver para Óbidos numa quinta chamada da Capeleira. Josefa contava então apenas 6 anos de idade, ali se educou, começando desde criança a manifestar uma vocação notável para a pintura e para a gravura em metal, lâminas de cobre e prata, no género chamado de pontinho.
Em 1653, aos 19 anos, fez a gravura da edição dos Estatutos de Coimbra. Depois trabalhou muito como pintora para os conventos e igrejas como retratista da família real. Pintou os retratos da rainha D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, mulher de D. Pedro II, e de sua filha, a princesa D. Isabel, que foi noiva de Vítor Amadeu, duque de Sabóia, a quem esse retrato foi enviado. Na capela do noviciado do convento de Varatojo havia uma excelente Nossa Senhora das Dores, e no coro um Menino Jesus, quadros que lhe são atribuídos. Havia quadros seus em Alcobaça, Batalha, em Vale Bem-Feito no mosteiro de S. Jerónimo, em Évora, onde existe um Cordeiro engrinaldado de flores, que passa por ser um dos seus melhores trabalhos. A Academia de Belas Artes também possui um quadro de Josefa de Óbidos. Há quadros seus em várias igrejas de Óbidos, principalmente na de S. Pedro, onde ela foi sepultada, nas de Peniche, Torres Vedras, etc. Especializou-se principalmente na pintura de frutas e flores.
As gravuras em metal que fazia, segundo constava, e que diziam ser excelentes, estavam em casa de José Gomes de Avelar, parente ainda de Josefa de Óbidos. A ilustre artista viveu quase sempre na quinta da Capeleira, mas havia alcançado tanta reputação que muitas das pessoas que iam tornar banhos às Caldas da Rainha, se afastavam do seu caminho, para irem a Óbidos cumprimentá-la.
Josefa de Óbidos faleceu a 22 de Julho de 1684.
in www.portugal dicionário histórico

As velas ardem até ao fim

Durante a ida para o cinema, (cujo filme não deixou qualquer registo), por um mero acaso ou talvez não, veio até mim um livro de Sándor Márai, que me deixou a pensar sobre o papel que tem na nossa vida as pessoas que nela se cruzam e como a paixão, o amor e a amizade são sentidos de acordo com as referências que cada um de nós vai adquirindo com base nas suas próprias vivências.... a profundidade do discurso, a sua prosa envolvente e interrogativa faz deste livro um belíssimo romance que termina com uma pergunta com a qual vos deixo:

(...) Pensas também que o significado da vida não seja outro senão a paixão, que um dia nos invade o coração, a nossa alma e o nosso corpo, e depois arde para sempre, até à morte? Aconteça o que acontecer? E que se nós vivemos essa paixão talvez não tenhamos vivido em vão? É assim tão profunda, tão maldosa, tão grandiosa e desumana a paixão?...E talvez não se dirija a uma pessoa em concreto, mas apenas ao mesmo desejo?....Essa é a pergunta. (...)

Sándor Márai in "As velas ardem até ao fim"

domingo, agosto 20, 2006

que bom que é:

ver viena imperial
palmilhar ruas
ver igrejas
brincar
conhecer otto wagner
e, egon schiele
comer doces
ouvir Mozart

ver o "beijo" de Klimt
E......R_E_G_R_E_S_S_A_R.......

sexta-feira, agosto 18, 2006

saudade

Queridas deusas,

Perdoem o silêncio mas tem-me faltado a inspiração. Decidi hoje que nem sempre precisamos de inspiração para dizer o que sentimos....pois é a verdade é que sinto um pequeno espaço vazio dentro de mim, que tem crescido e que percebi agora se tratar de ....saudade....

Saudade dos vossos abraços, do vosso sorriso, das vossas palavras ternas e sábias, da vossa presença divina, dos nossos encontros e desencontros, da partilha entre mulheres tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais.

Quem já voltou de férias, partilhe connosco as suas fotos, os seus locais de férias, as suas experiências ou diga simplesmente: "olá estou de volta!"

Eu fiquei por cá, as minhas viagens foram dentro de mim mesma, o melhor destino de todos, no entanto dificil de fotografar.

Até breve!

terça-feira, agosto 15, 2006

Pois...

Pois...l
Falta a Maria e este blog hiberna enquanto ela veraneia para depois nos contar.
Será que não está cá NINGUÉM???

segunda-feira, agosto 07, 2006

Léo ferre, airam e o afegão. Coincidências??

" La solitude" -Leo Ferre

Je suis d'un autre pays que le vôtre, d'un autre quartier, d'une autre solitude. Je m'invente
aujourd'hui des chemins de traverse. Je ne suis plus de chez vous. J'attends des mutants. Biologiquement je m'arrange avec l'idée que je me fais de la biologie : je pisse, j'éjacule, je pleure. Il est de toute première instance que nous façonnions nos idées comme s'il s'agissait d'objets manufacturés. Je suis prêt à vous procurer les moules. Mais...

la solitude...
Les moules sont d'une texture nouvelle, je vous avertis. Ils ont été coulés demain matin. Si vous n'avez pas, dès ce jour, le sentiment relatif de votre durée, il est inutile de vous transmettre, il est inutile de regarder devant vous car devant c'est derrière, la nuit c'est le jour. Et...

la solitude...
Il est de toute première instance que les laveries automatiques, au coin des rues, soient aussi imperturbables que les feux d'arrêt ou de voie libre. Les flics du détersif vous indiqueront la case où il vous sera loisible de laver ce que vous croyez être votre conscience et qui n'est qu'une dépendance de l'ordinateur neurophile qui vous sert de cerveau. Et pourtant...

la solitude...
Le désespoir est une forme supérieure de la critique. Pour le moment, nous l'appellerons "bonheur", les mots que vous employez n'étant plus "les mots", mais une sorte de conduit à travers lequel les analphabètes se font bonne conscience. Mais...

la solitude...
Le Code civil nous en parlerons plus tard. Pour le moment, je voudrais codifier l'incodifiable. Je voudrais mesurer vos danaïdes démocraties. Je voudrais m'insérer dans le vide absolu et devenir le non-dit, le non-avenu, le non-vierge par manque de lucidité. La lucidité se tient dans mon froc.
Leo Ferre

quinta-feira, agosto 03, 2006

silly season

Quem havia de dizer...o Mundo interior dá voltas!
Eis-me em plena silly season, a saber apreciar o dolce fare niente! ( quem me viu, maria).
O ritmo do corpo ( como diz airam), induzido pelos felinos que me vieram ensinar.
Acordar sem horas. Insónias sem zangas, que já não o são, por serem aceites.
O ouvir com espanto um homem sábio, que ouve provocações,como se não o fossem.
Reencontrar o gosto das músicas esquecidas. Vêr filmes idiotas.
Arrumar armários, para organizar o espírito.
Interessante....esta experiência aportada pela silly season, permitida pela doçura de telefonemas de vozes queridas que me dizem que eu existo e pela presença de quem,como eu, vai curando feridas.

terça-feira, agosto 01, 2006

ALGUÉM DISSE QUE QUERIA RIR?

Poema de Mulher

Que mulher nunca teve
Um sutiã meio furado,
Um primo meio tarado,
Ou um amigo meio viado?

Que mulher nunca tomou
Um fora de querer sumir,
Um porre de cair
Ou um lexotan para dormir?

Que mulher nunca sonhou
Com a sogra morta, estendida,
Em ser muito feliz na vida
Ou com uma lipo na barriga?

Que mulher nunca pensou
Em dar fim numa panela,
Jogar os filhos pela janela
Ou que a culpa era toda dela?

Que mulher nunca penou
Para ter a perna depilada,
Para aturar um empregada
Ou para trabalhar menstruada?

Que mulher nunca comeu
Uma caixa de Bis, por ansiedade,
Uma alface, no almoço, por vaidade
Ou, um canalha por saudade?

Que mulher nunca apertou
O pé no sapato para caber,
A barriga para emagrecer
Ou um ursinho para não enlouquecer?

Que mulher nunca jurou
Que não estava ao telefone,
Que não pensa em silicone
Ou que "dele" não lembra nem o nome?