







Natureza é Arte no seu aspecto mais puro.

Memórias de infância
O som de gargalhadas infantis, a camisola de lã picando o corpo, o suor escorrendo pelo pescoço vindo de corridas loucas, a maciez do saquito sentida na polpa dos dedos. Desfilam por um túnel as recordações de infância.
" É dia do bolinho", "anda,anda" gritam as vozes. Em bando percorriamos as ruas, era dia 31/10. Batiamos às portas e largávamos a cantinela, com um sorriso largo que fazia doer os maxilares de tão prolongado.
As senhoras abriam a porta e gritávamos:
"Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu'estão mortos, enterrados
À porta daquela cruz.
Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
P´ra vir dar um tostãozinho."
Grande sorriso no rosto recebia a criançada. E, lá vinham com os bolinhos feitos de propósito para aquele dia e para os meninos, ou com nozes ou rebuçados ou amendoins.
Os sacos enchiam-se de guloseimas. E, lá iamos. Bate porta, trauteia a ladainha. Os sacos enchendo,enchendo. Até ao pôr-do-sol. Faces coradas, comendo "as coisas boas" até a náusea fazer parar....
"dia do Bolinho".... diziamos nós. " noite de haloween"....chamam-na , agora.










Deusa Airam - Fim do dia, momento suspenso....céu muito enublado com pequenas abertas.
Deusa Papoila - Uma força da natureza em repouso depois da tempestade. Prepara-se para um novo renascer....
Deusa Castanha -Aguardem, já aí está a onda que se segue, vamos lá a dominar a fera....
Deusa Maria - Na crista da onda. Fortes correntes marítimas levem-me para outros mares.
Deusa Borboleta - De onde veio toda esta espuma, será apenas o resultado de muita turbulência a vir ao-de-cima?
Deusa das Águas - Rebentamento no auge. Aguarda novas e mais tranquilas marés.
Deusa da Luz -Tudo reflete e tudo ilumina, mesmo que por dentro se encontre grande agitação.
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Como andam as deusas? Perguntei ao Céu e ao Mar e estas foram as respostas....
Para todas vós trago beijos molhados do mar e abraços do tamanho do céu.
Inês



Cesário Verde (1855 - 1886)
José Joaquim Cesário Verde nasceu em 25 de Fevereiro de 1855 na cidade de Lisboa em Portugal. Filho de um lavrador e comerciante, dedicou-se desde muito jovem a essas actividades. No ano de 1873 matriculou-se no curso de Letras da Universidade de Coimbra, mas frequentou o curso somente por alguns meses. Nesse período, começou a publicar poesias no "Diário de Notícias", no "Diário da Tarde", no "Ocidente" e em alguns outros periódicos. Nessa época também surgem os sintomas mais agudos da tuberculose, doença que o levaria a morte em 18 de Julho de 1886. No ano seguinte, Silva Pinto, seu amigo dos tempos de universidade, reúne seus poemas em um livro intitulado "O Livro de Cesário Verde".
De Tarde
Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
0
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
o
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
o
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
Aqui vai