quarta-feira, abril 11, 2007

Algarve - Portimão







Ver um Universo num grão de areia,
E um Paraíso numa flor selvagem,
Conter o Infinito na palma da mão
E a Eternidade no tempo de uma hora
William Blake

domingo, abril 08, 2007

Cartografia de Emoções




Páscoa...tempo de colocarmos a nós próprios algumas questões fundamentais sobre o que andamos por cá a fazer. E como a partilha é uma forma de estarmos juntos, querida Maria, aqui vai, directamente da "Cartografia de Emoções" de Nuno Júdice. Obrigada!



Filosofia


Mas o que queremos da vida? É a vida? O que se procura em cada segundo para se perder em cada segundo? O tempo, assim de nada nos serve.
Um dia, dando por nós próprios, perguntamo-nos o que fizemos, por onde andamos, as cidades e casas que percorremos, sem que uma resposta nos satisfaça. A vida, então, limita-se a ser o que fez de nós, sem que o tenhamos desejado, e nada pode ser feito para voltar atrás, nem para restituir os passos trocados de direcção, as frases evitadas no último extremo, o olhar que se desviou quando não devia. Ah, sim – e o amor? É isso que queremos da vida? É verdade: cada um dos abraços que se deram, contando cada instante; o rosto lembrado no auge do prazer, quando um súbito sol desponta dos seus lábios; os cabelos presos nas mãos como se delas prendesse o feixe da eternidade….Assim, a vida poderá ter valido a pena. É o que fica: o que nos foi dado e o que damos, sem que nada nos obrigasse a dar ou a receber; o puro gesto do acaso na mais absoluta das obrigações. Então, volto a perguntar: que outra coisa queremos da vida?

Nuno Júdice in Cartografia de Emoções




" felizmente não é natal"

"felizmente não é natal"- duas grandes actrizes - já idosas - dão corpo a uma peça da vida numa cena de teatro. Em tom risonho, abordam-se temas pesados : o que apelidam de solidão de velhice desaguada nos lares ( para endinheirados) e asilos( para pobres), o conflito relacional e amargo entre pais e filhos. O pano cai. A reflexão vem.
António Barreto em "Portugal - um retrato social" relatou, em tom amargo, e mórbido a solidão dos "nossos" velhos. A reflexão vem.
No Expresso, da semana passada aparece, num destacável, a publicidade de um novo jornal " As rugas ".A reflexão vem.
Três mulheres, de cabelo grisalho, após o cinema palmiham o Porto à procura de um local onde se possam sentar para debater o filme acabado de vêr e beber um chá ou um "copo". Inexistente. Locais com jovens, sempre. Onde estão os de meia-idade, interrogam-se.
E, assim, são os próprios fazedores do seu futuro que se isolam e guehtizam ( será que esta palavra existe?). Criando um jornal publicitando " assuntos", " viagens", etc,etc " especificos", para os acima de cinquenta! Arredando-os da partilha e comunhão dos interesses "especificos " abaixo dos cinquenta ! lentamente, criando toda a estrutura para a incomunicabilidade entre jovens e velhos, por falta de interesses comuns, de linguagem partilhada.
Pergunto-me, se eu não tivesse tido os "meus jovens" a dar-me a mão introduzindo-me no mundo cibernauta, a fazer-me sentar e "obrigar-me " a partilhar o último CD recém conhecido, o último livro lançado, o humor dos GF, a camisola mais "in", o " Sem + nem -"," o gira pratos", o "bairro alto", se os "meus jovens" não tivessem aturado " os mais velhos" divagando sobre a "nouvelle vague", os "doors ", a art pop, os clássicos, como seriam os nossos jantares e fins de tarde?

Não será que um dos motivos da "solidão" da velhice ( para além, do sempre imputado egoísmo) reside ,também, na não partilha de assuntos e temas, isolando-se cada geração no seu mundo, ao ponto de se tornar a comunicação impossível,saturante e amarga?

E, a solidão ( terrível ) dos jovens que se evadem no alcool, advirá de quê?

sexta-feira, abril 06, 2007

às aniversariantes

...o que está embaixo é como o que está em cima... - Hermes Trimegisto

O Signo Carneiro é regido pelo planeta Marte. Fisicamente é relacionado com a cabeça. Sabe-se que tem uma natureza masculina, por isso é mais incisivo na sua energia. Carneiro é um signo de Fogo, e isto significa que um planeta aqui colocado terá necessidade de se manifestar de uma forma muito dinâmica. A expressão da sua identidade pessoal é importante que seja feita através da acção. O desejo de ser o primeiro é supremo, por isso a sua expressão tem uma efervescência "Naif" e uma inocência inexperiente. É um mundo de príncepes e princesas. Como Carneiro é um signo Cardeal, sua energia é manifestada em explosões dinâmicas. Metas a curto prazo são importantes, e resultados tangíveis são conseguidos rapidamente. Pessoas com uma ênfase forte neste signo terão liderança e características de pioneiro, entretanto há uma tendência à impulsividade a um temperamento redutor. Impaciência e egocentrismo precisam ser controlados, e uma maior consciência das necessidades dos outros deverá ser desenvolvida, para que o conflito e a tensão sejam evitados.

quarta-feira, abril 04, 2007

segunda-feira, abril 02, 2007

quinta-feira, março 29, 2007

photografia vicente - à descoberta do Funchal


O estúdio fundado em 1848 por Vicente Gomes da Silva foi transformado em museu, sendo, hoje, A Photografhia - Museu “ Vicentes” o mais antigo estúdio de fotografia existente em Portugal. Ao espólio da casa “Vicentes” juntou-se, mais recentemente, o património de originais fotográficos de outras “Casas” do Funchal.
São várias gerações de fotografos...até que nasce o trineto....jornalista!



jornalista descendente de fotografos

Vicente Jorge Silva (Funchal, 1946) é um jornalista, deputado, comentador político e cineasta português.
Co-fundador e primeiro director do jornal Público, foi ele o pai da expressão «Geração Rasca», utilizada num editorial por si assinado por altura das manifestações estudantis contra a então Ministra da Educação (do governo de Cavaco Silva) , Manuela Ferreira Leite.
Ex-deputado pelo Partido Socialista (PS) - eleito pelo circulo eleitoral de Lisboa - ex -colunista do Diário Economico, mantém-se como colunista do Diário de Notícias, tendo passado, também, pelo Comércio do Funchal e Expresso, onde foi director-adjunto.
Nascido no Arquipélago da Madeira, é um dos mais acérrimos criticos de Alberto João Jardim.
Como realizador de cinema foi autor de O Limite e as Horas (1961), O Discurso do Poder (1976), Vicente Fotógrafo (1978), Bicicleta - Ou o Tempo Que a Terra Esqueceu (1979), A Ilha de Colombo (1997). Porto Santo (1997), seu último trabalho no cinema, foi exibido no Festival Internacional de Genebra.
wikipedia

quarta-feira, março 21, 2007

Dia da Poesia

Em homenagem a
uma grande mulher e poetisa:
Sophia de Mello Breyner Andersen



Mar

De todos os cantos do mundo

Amo com um amor mais forte e mais profundo

Aquela praia extasiada e nua,

Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.


Cheiro a terra as árvores e o vento

Que a Primavera enche de perfumes

Mas neles só quero e procuro

A selvagem exalação das ondas

Subindo para os astros com um grito puro.
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Um dos maiores Mestres da Poesia Portuguesa:
Fernando Pessoa
______________________________________
Para ser grande, sê inteiro: Nada
teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
____________________________________________
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

ostara

Ostara é o primeiro dia da Primavera. É o momento do ano em que o Sol diretamente acima do equador, fazendo com que noite e dia tenham igual duração. Nesse dia, escuridão e luz são precisamente iguais; então, esse Sabbat traz sentimentos de equilíbrio e interação. Desse dia em diante o dia dominara a noite, ou seja, os dias serão maiores que as noites e a Terra explodirá com vida.
Ostara é celebrado no hemisfério Sul por volta do dia 22 de Setembro e no hemisfério Norte por volta de 21 de Março. Este é o tempo para Rituais de fertilidade, momento no qual a vida se renova.
Ostara, conhecido também como o Equinócio de Primavera, é basicamente um Festival Solar. Na agricultura, sinaliza o tempo em que as sementes são plantadas e começam o seu processo de crescimento. Ostara é tido como um momento de união e amor entre a Deusa (Lua) e o Deus (Sol), pois é um período de igualdade e equilíbrio entre as forças da Natureza, e isso indica também que é o momento ideal para fortalecer a energia de complementaridade entre homem e mulher.
Segundo as crenças da Wicca, em Ostara o Deus (Sol) cresceu, tornando-se um jovem adulto. Ele está passando pela puberdade e suas forças são refletidas na vitalidade e no crescimento das plantas. Ele está crescendo novamente. Com a vitalidade Dele vem o calor da Primavera e o futuro plantio das futuras colheitas.
A Deusa não é tida mais como a Mãe nutridora, mas como uma bonita Virgem da Primavera. Assim como em relação à Natureza esse é o momento de plantar, essa também é hora de cultivarmos nossas "sementes" (metas e objetivos). E o período de celebrar as mudanças de nosso corpo, pois nessa estação do ano ficamos mais ativos, dormimos menos, comemos menos e gastamos mais tempo ao ar livre.
Nesse dia, os antigos pagãos da Europa acendiam fogueiras nos cumes de montanhas, pois acreditavam que o brilho do fogo seria capaz de tornar a terra frutífera e manter suas casas em segurança. O Fogo aceso também simbolizava iluminar os caminhos para que o Sol pudesse retornar a Terra.
A Deusa reverenciada nesse dia é Eostre ou Ostara, que significa "a Deusa da Aurora", uma Deusa anglo-saxã da Primavera, da ressurreição e do renascimento. Estava associada à fertilidade e aos grãos, e oferendas de pão e bolo eram feitas nessa época a ela.
A primeira e mais preservada Tradição Pagã de Ostara é a decoração dos ovos. O ovo simboliza a fertilidade da Deusa e do Deus, o símbolo de toda a criação. Ao decorá-los, estamos carregando-os como Objetos Mágicos, de acordo com as cores que utilizamos. É uma Tradição também esconder os ovos; e achá-los simboliza que a pessoa alcançará suas metas.
Outro simbolismo é o Coelho da Páscoa. Muitos nem se quer percebem que o Coelho é um dos maiores símbolos de fertilidade da Deusa, pois eles levam 28 dias para gerarem e darem à luz aos filhotes; e 28 dias é o ciclo completo de uma lunação. Além disso, a lenda do Coelho da Páscoa tem uma estreita relação com a referente Deusa Eostre, na qual um gentil coelhinho pedia favores a Deusa e em troca botava ovos, decorava-os e presenteava a Deusa com eles. Segundo a lenda, Eostre ficou maravilhada com a beleza dos ovos e ficou tão contente que desejou que toda a humanidade pudesse compartilhar de tamanha beleza e alegria. Assim, o coelho começou a viajar por todo o mundo na época do Equinócio de Primavera, presenteando a todos com seus ovos decorados.
Os símbolos desse Sabbat são as flores e os ovos coloridos. Esses ovos enfeitam o altar e depois são colocados aos pés de árvores ou em vasos com plantas.
Nesse dia, os antigos europeus iam ate o campo para colher flores e as levavam para casa, pois acreditavam que as flores colhidas no Equinócio da Primavera eram mágicas e, através delas, seriam capazes de conectarem a energia de toda a Natureza. Essas flores eram secas e com elas eram feitos ornamentos para enfeitar as casas, até o Ostara do ano seguinte, em que eram trocadas por novas flores, assegurando assim a continuidade de sorte, saúde e felicidade.
Ostara é o tempo da renovação, o momento ideal de passear por jardins, parques, bosques, florestas e outros lugares verdes, fazendo do passeio um verdadeiro ritual, uma celebração da Natureza e da Vida.

primavera


Chegou a Primavera.
É tempo de:
correr de mãos dadas pelos campos de trigo;
parar a contemplar o pôr do sol no mar azul, azul;
sentir o vento morno a acariciar o corpo;
cheirar a terra , recem regada pela chuva;
o coração a bater forte por alguém...

Chegou a primavera, chegou a primavera ......

quinta-feira, março 15, 2007

Vamos limpar a Praia das Pedrinhas (Apúlia)


Airam, Deusa que vai limpar e arrumar o Mundo, sugeriu e muito bem, que comecemos este domingo (dia 18 de Março) por um local que nos é particularmente querido, onde se localiza a sede das deusas - a praia das Pedrinhas na Apúlia -

Quem gosta de passear numa praia suja, cheia de bidões, garrafas, frigoríficos e afins?....pois é, nós também não, por isso, começamos este domingo e vamos continuar todos os meses (3º Domingo de cada mês), vamos falar com o presidente da junta de freguesia, com o padre, com os pescadores, com quem for preciso para termos a praia e as dunas limpas. Ajudem-nos com as vossas sugestões e acções efectivas - karma yoga - .

Que seja!

quarta-feira, março 14, 2007

sentir



Neste dia espectacular...para as deusitas

quinta-feira, março 08, 2007

As mulheres da minha geração

PORQUE HOJE MERECEMOS!
Com um abraço da BORBOLETA

As mulheres da minha geração escrito por Santiago Gamboa
Tradução livre de Luiz Augusto Michelazzo

É o único tema em que sou radical e intolerante, no qual não escutoargumentações: As mulheres da minha geração são as melhores e ponto. Hoje têm quarenta e muitos, inclusive cinqüenta e tal, e são belas, muito belas, porém também serenas, compreensivas, sensatas e sobretudo diabolicamente sedutoras, isto, apesar dos seus incipientes pés-de-galinha ou desta afetuosa celulite que capitoneam suas coxas, mas que as fazem tão humanas, tão reais. Formosamente reais. Quase todas, hoje, estão casadas ou divorciadas, ou divorciadas e recasadas, com a intenção de não se equivocar no segundo intento, que às vezes é um modo de acercar-se do terceiro e do quarta intento. Que importa? Outras, ainda que poucas, mantém um pertinaz celibatarismo e o protegem como a uma fortaleza sitiada que, de qualquer modo, de vez em quando abre suas portas a algum visitante.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
Nascidas sob a era de Aquário, com a influência da música dos Beatles,de Bob Dylan, de Lou Reed, do melhor cinema de Kubrick e do início do boom latino-americano, são seres excepcionais. Herdeiras da revolução sexual da década de 60 e das correntes feministas, que entretanto receberam passadas por vários filtros, elas souberam combinar liberdade com coqueteria, emancipação com paixão, reivindicação com sedução. Jamais viram no homem um inimigo, apesar de que lhe cantaram umas quantas verdades, pois compreenderam que se emancipar era algo mais que colocar o homem para esfregar o banheiro ou trocar o rolo de papel higiênico, quando este tragicamente se acaba, e decidiram pactuar para viver em dupla, essa forma de convivência que tanto se critica, porém, que com o tempo, resulta ser a única possível, ou a melhor, ao menos neste mundo e nesta vida.
São maravilhosas e têm estilo, mesmo quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam. Usaram saias indianas aos 18 anos, enfeitaram-se com colares andinos, cobriram-se com suéteres de lã e perderam sua parecença com Maria, a Virgem, em uma noite louca de sexta-feira ou de sábado, depois de dançar El raton, com algum amigo que lhes falou de Kafka, de Gurdjieff e do cinema de Bergman. No fundo de suas mochilas havia pacotes de Pielroja, livros de Simone de Beauvoir e fitas de Victor Jara, e ao deixar-nos, quando não havia mais remédio senão deixar-nos, dedicavam-nos aquela canção de Héctor Lavoe, que é ao mesmo tempo um clássico do jornalismo e do despeito, e que se chama. Teu amor é um jornal de ontem.
Falaram com paixão de política e quiseram mudar o mundo, beberam rum cubano e aprenderam de cor canções de Silvio Rodriguez e Pablo Milanez, conheceram os sítios arqueológicos, foram com seus namorados às praias, dormindo em barracas e deixando-se picar pelos pernilongos, porque adoravam a liberdade e, sobretudo, juraram amar-nos por toda a vida, algo que sem dúvida fizeram e que hoje continuam fazendo na sua formosa e sedutora madurez. Souberam ser, apesar da sua beleza, rainhas bem educadas, pouco caprichosas ou egoístas. Deusas com sangue humano.
O tipo de mulher que, quando lhe abrem a porta do carro para que suba, se inclina sobre o assento e, por sua vez, abre a do seu acompanhante por dentro.
A que recebe um amigo que sofre às quatro da manhã, ainda que seja seu ex-noivo, porque são maravilhosas e têm estilo, ainda quando nos façam sofrer, quando nos enganam ou nos deixam, pois seu sangue não é tão gelado o suficiente para não nos escutar nessa salvadora e última noite, na qual estão dispostas a servir-nos o oitavo uísque e a colocar, pela sexta vez, aquela melodia do Santana. Por isso, para os que nascemos entre as décadas de 40 e 60, o dia da mulher é, na verdade, todos os dias do ano, cada um dos dias com suas noites e seus amanheceres, que são mais belos, como diz o bolero, quando está você.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!

Mulher

Luísa sobe, sobe a calçada,
sobe e não pode que vai cansada.

Sobe, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Saiu de casade madrugada;
r egressa a casa
é já noite fechada.

Na mão grosseira,de pele queimada
leva a lancheira desengonçada.

Anda, Luísa, Luísa,sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Luísa é nova,desenxovalhada,
tem perna gorda,bem torneada.
Ferve-lhe o sanguede afogueada;
saltam-lhe os peitos na caminhada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Passam magalas,rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.

Anda, Luísa,Luísa, sobe
sobe que sobe, sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;

chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,

puxa que puxa, larga que larga,
toca a sineta na hora aprazada,

corre à cantina, volta à toada,
puxa que puxa, larga que larga,

Regressa a casa
é já noite fechada.

Luísa arqueja
pela calçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada,

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

António Gedeão

dia da mulher


PORQUÊ O DIA 8 DE MARÇO

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

segunda-feira, março 05, 2007

domingo, fevereiro 25, 2007

Escuto



Escuto mas não sei

Se o que oiço é silêncio

Ou Deus


Escuto sem saber se estou ouvindo

O ressoar das planícies do vazio

Ou a consciência atenta

Que nos confins do universo Me decifra e fita


Apenas sei que caminho como quem

É olhado amado e conhecido

E por isso em cada gesto ponho

Solenidade e risco


Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, fevereiro 20, 2007

eu vi......

amar....sem idade

parar no tempo
a forma.....


o criar...



harmonia




um dia de chuva






domingo, fevereiro 18, 2007

carnaval

Para alguns pesquisadores o Carnaval tem raízes históricas que remontam aos bacanais e a festejos similares em Roma; alguns historiadores mais ousados chegam mesmo a relacionar o Carnaval a celebrações em homenagem à deusa Ísis ou ao deus Osíris, no Egito antigo. Uma outra corrente acredita que a festa iniciou-se com a adoção do calendário cristão.
Em Roma havia uma festa, a Saturnália, em que um carro no formato de navio abria caminho em meio à multidão, que usava máscaras e promovia as mais diversas brincadeiras. Essa festa foi incorporada pela Igreja Católica, e segundo alguns a origem da palavra Carnaval é carrum navalis (carro naval). Essa etimologia, entretanto, já foi contestada. Actualmente a mais aceita é a que liga a palavra "Carnaval" à expressão carne levare, ou seja, afastar a carne, uma espécie de último momento de alegria e festejos profanos antes do período triste da quaresma.
Em 1091 a data da Quaresma foi definitivamente estabelecida pela Igreja Católica; como consequência indireta disso, o período de Carnaval se estabeleceu na sociedade ocidental, sofrendo, entretanto, certa oposição da Igreja, na Europa. Embora alguns papas tenham permitido o festejo, outros o combateram vivamente, como Inocêncio II.
À seqüência do Renascimento o Carnaval adotou o baile de máscaras, e também as fantasias e carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual, que se preserva especialmente em regiões da França (ver Mardi Gras), Itália e Espanha.
in wikipedia

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Desapego

“INDRIYARTESHU VAIRAGYAM”

Indriya significa órgãos dos sentidos e artha, objecto. Vairagya vem de raga, paixão ou desejo, unido ao prefixo negativo vi que transforma o significado em desapego. Assim, Indriyartheshu vairagyam significa “um estado de desapego em relação aos objectos dos órgãos dos sentidos” ou “a ausência de uma compulsão pelos prazeres mundanos e posses”.

Raga, é mais do que apenas uma fantasia ou preferência, é o desejo ardente por alguma coisa. Quem está livre de tais desejos é chamado vairagi e seu bhava, estado mental, é chamado vairagyam, um desapego em relação aos objectos dos sentidos. Que significa desapego? Significa colocar uma barreira entre mim e os objectos dos sentidos? Eu deveria dar as costas, não olhar nem ouvir quando houvesse algo que me pudesse fascinar? Não. Desapego não é um estado interior de repressão. È um estado sereno da mente caracterizado pela total objectividade em relação às coisas do mundo, os objectos dos sentidos.

Desapego não é repressão do desejo. Desapego e auto-repressão são estados contraditórios da mente, porque são mutuamente exclusivos. A auto-repressão é estabelecida na presença da paixão, para que seja dominada ou esmagada. No desapego não existe nada que requeira repressão. Nenhum desejo compulsivo comanda a mente do vairagi.

Como pode a mente ser libertada dos desejos compulsivos? Como pode ser alcançada uma natureza de desapego? O desapego é obtido pela clareza em ver os objectos exactamente como eles são: vendo, sem uma distorção subjectiva, como os objectos se relacionam comigo, com minha felicidade e bem-estar.

Basicamente, um ser humano parece se considerar uma pessoa incompleta. Todos os meus desejos compulsivos giram em torno deste sentimento humano de estar sempre faltando algo. A experiência humana comum é a de querer ser uma pessoa completa e a de não se sentir completo na forma em que se encontra. Vendo-me como incompleto, insatisfeito, inadequado e inseguro, eu tento trazer um preenchimento para mim mesmo, através da busca do prazer e da aquisição de coisas. Dedico-me a duas buscas humanas fundamentais: a luta por kama e artha. Kama é a palavra sânscrita que significa todas as formas do sentido do prazer. Kama indica não apenas comer, mas comer como um gourmet, não somente beber, mas beber com um prazer compulsivo. Artha, representa todos os tipos de coisas que julgo que trarão segurança à minha vida: dinheiro, poder, influência, fama e nome.

Como ser humano, não haverá fim para o meu desejo e luta por artha e Kama enquanto me sentir inseguro e incompleto, achando que artha e Kama me podem completar e dar fim à minha insegurança. Enquanto eu achar que artha e kama tem esta capacidade, não serei capaz de obter indriyartheshu vairagyam, desapego pelos objectos. Para ficar livre de tal impulso por artha, coisas e kama, prazeres, eu devo, pela análise e discernimento, reconhecer que nem mesmo um sem número de coisas me pode tornar seguro, nem um grande prazer pode preencher o meu sentimento de vazio. Devo descobrir que a minha batalha para preencher a minha sensação de querer é sem fim. Nenhum acumulo de riqueza é bastante para silenciar a minha ansiedade interior, nenhum prazer suficiente para trazer um preenchimento duradouro.

Todo o ganho de coisas, de qualquer tipo de fortuna, também envolve perda. Nenhum ganho que obtiver através do esforço é absoluto. Todo e qualquer ganho envolve uma perda concomitante: uma perda pelo consumo de tempo e esforço requeridos, uma perda pela responsabilidade assumida, uma perda por qualquer outra alternativa abandonada. Ganho envolve perda. Um duradouro senso de segurança nunca é alcançado por artha.

Quando eu analiso o prazer, encontro o mesmo resultado. A luta humana por prazer não produz contentamento duradouro. (…) Momentos de prazer requerem a concomitante disponibilidade de três factores: disponibilidade do objecto do prazer, disponibilidade do instrumento apropriado e efectivo para apreciar o objecto; disposição mental apropriada para apreciar o objecto. Sendo dependentes destes factores sempre mutantes, momentos de prazer são ocasionais e passageiros. Objectos e instrumentos são limitados pelo tempo. A mente é caprichosa, sujeita a mudanças de humor e à descoberta da monotonia naquilo que era anteriormente desejado.

A análise do prazer mostra que este, assim como posses, falham no meu esforço para encontrar plenitude. (…) Vejo que objectos, buscados para o prazer ou segurança, não me podem dar o que basicamente procuro. Para o desapego este facto deve ser conhecido por mim. Objectos são úteis, mas nenhum deles me pode dar o que realmente desejo. Vejo que não posso achar segurança completa ou duradoura na riqueza, poder ou fama, nem posso encontrar plenitude duradoura em momentos de prazer acumulados.

Quando não deposito a minha segurança, o meu preenchimento, a minha felicidade nestas coisas, alcanço uma visão objectiva delas. Tornam-se somente objectos para mim, os quais posso avaliar pelo que são em vez de pelo que espero deles subjectivamente. Como simples objectos, em vez de se tornarem resposta às minhas necessidades mais profundas, eles assumem as suas reais dimensões. Deixo de lhes dar uma capacidade extra que na realidade eles não têm. Vejo dinheiro como dinheiro, não como uma garantia contra a insegurança. Vejo casa como casa, não como uma fonte de felicidade. Vejo a terra como a terra, não como uma extensão de mim mesmo pela posse.

Vejo todas as coisas como são e não lhes dou nenhum valor subjectivo extra. Quando os objectos são despojados dos valores subjectivos projectados neles por mim – valores que eles parecem ter quando os olho como uma fonte de felicidade – sou objectivo em relação a eles. Sou desapegado. Este é o estado mental de vairagya.

Vairagya é um valor importante, que deve ser entendido correctamente. (…) Vairagya é um estado mental ocasionado pela compreensão, não um estado mental forçado por um compromisso com a auto-negação ou privação. Vairagya não nasce do medo, nem do esforço da vontade, mas sim da pura compreensão. É produzido pela observação, pesquisa e análise sobre o que desejo, por que desejo e o que alcanço com o preenchimento desses desejos. A compreensão produzida por esta análise reduz o mundo a um facto objectivo para mim, liberta-o da confusão da minha própria subjectividade, do emaranhado das minhas ragas e dveshas, meus gostos e aversões que me prendem à felicidade momentânea.

É o meu valor subjectivo pelas coisas que transforma um simples objecto num objecto de valor especial, um objecto peculiarmente importante para mim. Torno-me apegado a tais objectos apenas porque me prendo a eles, não porque eles se prendam a mim. Nenhuma casa me prende, eu me prendo à casa por causa do valor subjectivo que projecto nela. Objectos não me pegam e prendem. Eu os prendo. A prisão está em mim mesmo, nos meus valores subjectivos baseados na incapacidade para compreender as limitações dos objectos, sua impossibilidade de me preencherem. Quando compreendo, a prisão desaparece e vejo as coisas como são. E este estado de ver é chamado indriyarthesthu vairagyam, desapego em relação aos objectos dos sentidos.

O valor dos Valores
Swami Dayananda Saraswati

humor kitsch..dia de S. Valentim

Em nossa homenagem, castanhita!


Garota Solitária
Alzira Espíndola
Composição: Adelino Moreira

Esta noite eu chorei tanto.
Sozinha, sem um bem
Por amor todo mundo chora
Um amor todo mundo tem

Eu, porém, vivo sozinha
Muito triste sem ninguém
Será que eu sou feia?
- Não é, não senhor
Então eu sou linda?
- Ah! Você é um amor!

Respondam então
porque razão
Eu vivo só sem ter um bem?
- Você tem o destino da lua
Que à todos encanta
e não é de ninguém!

Ah! Eu tenho o destino da lua
À todos encanto e não sou de ninguém!

Ora....

Eeheheheh

Como usa o seu tempo?

A morte nasce com a vida e cada ser querido que morre é um exemplo que nos fica da sua vida e uma forte lição para reflectirmos profundamente como usamos o nosso precioso tempo de vida. Vivam agora! Aprendam a fazer um bom uso do vosso tempo antes que seja tarde de mais.

Que seja!


(...)Com o nascimento, certos defeitos vêm: morte, velhice, doença e dor de vários tipos. Não há escapatória deles. Portanto, tenha em mente a natureza da vida. É incerta, dolorosa e move-se em direcção à velhice e à morte. Mantenha a sua mente no propósito da sua vida. Não a desperdice. Lembre-se: o tempo é o devorador do mundo. (...) Não é negativo, mas apenas real. Seu propósito é dirigir a sua atenção para a necessidade de ver a vida objectivamente, como ela é, de forma que você seja capaz de fazer uso do tempo que está disponível. Tempo disponível é tempo precioso. Faça uso dele atenta e conscientemente e, então, você não achará um dia que o tempo passou por você e de repente você envelheceu. (...)

O Valor dos Valores
Swami Dayananda

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

This Is Africa

Diamante de sangue- realizador Eduard Zwick-

Filme intenso, que levanta questões filosóficas sobre a humanidade . Num dialogo um dos protagonistas refere " This is Africa!". Mas, o filme mais que retratar Africa, dá-nos a dimensão do ser humano e do seu caminhar. O poder . O exercicio e o gosto do poder, em função dás posições sociais ou económicas. O Amor. Desde a sua dimensão mais primordial, o de Pais, até ao Amor pela humanidade.
Belo filme que dá que pensar.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Vegetarianismo - Expressão de Ahimsa


(...)O vegetarianismo é um exemplo de como pôr em prática o valor por ahimsa (não violência ou não ofensa).
Muitos argumentos a favor da dieta vegetariana podem ser apresentados, mas o argumento básico que apoia a alimentação sem carne é simplesmente ahimsa.
Na Índia, onde existem mais vegetarianos do que que em qualquer parte do mundo, o vegetarianismo é baseado directamente na tradição védica: Himsan na kuryat (não cause dano)
Por que comer um ovo envolve mais ahimsa do que comer uma beringela?
E um bife a uma abóbora?
Todas as formas de vida necessitam de algum tipo de alimento.
Uma forma de vida alimenta-se de outra. O que é uma tragédia para o pássaro é o jantar para o gato. Sendo este o caso por que não devería o ser humano comer carne? Porque o ser humano não está na mesma categoria sem escolha, como o gato comedor de canários. Ele não pode usar o exemplo do gato como justificativa. Para o gato e outras formas de vida não-humanas, escolher o que comer para o jantar não é problema. Eles seleccionam o seu alimento apropriado por instinto. Eles vem pré-programados, sabendo o que devem comer, somente precisam localizá-lo. O mesmo não se dá com o ser humano que sendo autoconsciente, traz consigo uma livre escolha para determinar diferentes meios para alcançar os objectivos da vida, o que inclui a necessidade básica, o alimento. Não sendo pré-programado, o ser humano deve escolher o tipo de alimento que come. (...)
Todas as criaturas buscam viver livres de sofrimento
É simples ver que todos os seres humanos dão valor à vida. Qualquer ser vivo tenta permanecer vivo, inclusivé as plantas e outras formas elementares de vida. Entretando, também é evidente que todos os seres não parecem ter o mesmo nível relativo de consciência da vida, a mesma habilidade consciente de perceber ameaças à vida ou de lutar para preservá-la. As criaturas no reino animal estão mais perto dos seres humanos do que as plantas no que diz respeito à consciência das ameaças à vida e na sua luta para permanecerem vivas. Animais, pássaros, peixes e todas as criaturas móveis fogem de mim quando sabem que as estou a tentar apanhar para a panela. Quando as consigo agarrar, lutam e gritam. Portanto, não há como não saber que elas não querem ser feridas, que querem viver. Nenhuma criatura móvel quer ser o meu jantar. Uma vez que me foi dado livre arbítrio para escolher o alimento que como para me manter vivo, preciso encontrar alguma norma para me guiar na escolha dessa comida. A dádiva da livre escolha traz consigo a responsabilidade de seguir uma norma ética no exercício dessa escolha. Qual é a norma "dhármica" e de bom senso para a escolha do meu alimento? Os Vedas dizem-me: não cause dano. O meu bom senso diz-me que não deveria fazer de "alguém" o meu jantar, uma vez que não quero ser o jantar de "alguém". O que é um "alguém"? As criaturas vivas que possuem meios para fugir de mim e o equipamento para gritar em protesto ou lutar contra mim são mais um "alguém" do que plantas, enraizadas num lugar que silenciosamente abandonam os seus frutos para serem comidos, em geral, sem isso abdicar das suas vidas.
A escolha ético-racional para a dieta humana
Devido às pesquisas que indicam que uma alimentação vegetariana balanceada é completa e saudável, o uso da carne na dieta não pode ser justificado com base na necessidade nutricional. Se opto por comer carne, esta opção deve ser entendida simplesmente como uma preferência minha. Não há problema em satisfazer essa preferência se não existe nenhuma razão dominante indicando o contrário. No caso de comer carne, existe uma forte razão ética de bom senso para não satisfazer essa preferência, se ela existe.(...) Se insisto em incluir carne na minha dieta, elevando esta decisão ao status ético, deveria colocar-me na mesma condição dos outros animais carnívoros. Para estar na mesma condição eu deveria caçar e matar a minha presa com as mãos vazias, sem o auxílio de armas, expondo-me assim à possibilidade de ser o jantar de "alguém" enquanto procuro outras criaturas para serem o meu jantar. Se não tenciono agir assim, a utilização de animais como alimento será antiética, entrando em conflito com o meu valor parcial pela não violência. (...)
Ahimsa requer sensibilidade e atenção
O valor por ahimsa exige atenção e sensibilidade diárias em todas as áreas da minha vida. É um valor que se expressa na minha atitude em relação às plantas tanto quanto em relação aos seres humanos e aos animais. A destruição cruel da vida vegetal indica uma falta de sensibilidade ao valor ahimsa. Ahimsa é um valor pela não destruição ou não dano a qualquer parte da criação, a criação da qual também sou uma parte. Eu não esmago, desfolho, arranco ou derrubo negligentemente. Com relação aos meus companheiros seres humanos, fico atento às palavras, actos ou pensamentos que possam ser ofensivos. Desenvolvo uma apreciação mais subtil pelos sentimentos dos outros. Passo a ver além das minhas próprias necessidades, compreendendo as necessidades do outro à minha volta. (...)
O Valor dos Valores
Swami Dayananda Saraswati

quarta-feira, janeiro 24, 2007

sábado, janeiro 20, 2007

elizabeth peyton


Born in 1965, Elizabeth Peyton paints and draws portraits of people who are in some way close to her – whereby her relationship to her subjects can assume a variety of forms. They might be personal friends, but could equally be historical figures or popstars. The crucial factor is the intensity of the encounter that first inspired the artist to preoccupy herself with these `companions'. Whether a close companion or a worshipped idol, in Peyton's paintings and drawings the distinctions between friends and stars ultimately become blurred.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

gostos

Gostos não se discutem.
Mas, deusinhas, digam se gostam mais do actual ou do antigo

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Tempo para sonhar



Take me away to the seashore
Where I can just sit and dream
And feel the strength of the ocean
As the soft mist washes me clean.

Sounds of the waves hypnotize me
The rythmn soothes all my cares
There is no place on earth more refreshing
Than here, breathing in the salt air.

Where the light house plays host to the seagulls
And offers its welcoming beam
Inviting those weary from life's struggles
To stop and take time to dream."

Sharon Langan

Da India para...mim

Procuro
Em cada rosto, lugar.
Em cada País que de passagem estou.

Encontro
O humano possível!
E o desumano também.

Neste olhar divergente e convergente
Encontro espaços dentro de mim, por vezes
Muitas...

A névoa da manhã percorre-me
E ainda que o Sol brilhe,
os seus raios encontram uma ténue resistência.

Sou árvore, flor, erva que toco a terra e o ar aspirando o Céu.
Ilusão a minha! O Céu não existe.
Antes um espaço imenso onde projecto todas as possibilidades.

Aqui nesta terra - Índia - encontro:
PAZ, aceitação, convivência,
para além das diferentes formas.

NAMASTÉ

30-12-2006
AIRAM

quinta-feira, janeiro 11, 2007

namasté

A ti, deusita, vinda da India, desejamos um retorno yoguini

segunda-feira, janeiro 08, 2007

baby boomers

Ontem, em " zapping" apanhei uma reportagem sobre os baby boomers japoneses.
Curiosa,no mínimo. As mulheres japonesas ( casa dos 60, 65 anos de idade) foram educadas na missão de criar os filhos, tratar da casa, e...nunca, por nunca, manifestar opinião própria, gostos ou discordância em relação às orientações do seu marido.
Estes , como lhe chamavam na reportagem, "assalariados", saíam de casa de manhãzinha e regressavam à noite. As mulheres ficavam,assim, sózinhas o dia todo.
E, chegou, agora, a hora da reforma. Manifesta-se, então um fenómeno, alvo da reportagem. As mulheres desenvolvem um síndroma "do regresso a casa do homem reformado". Manifestações físicas : vómitos, dores de cabeça, depressão. Em massa, até que um médico verificou que eram sintomas de medo face ao regresso do homem. Entravam em pânico por ter que não só conviver com um homem que não lhes dizia nada no ponto de vista afectivo, mas sobretudo por terem que durante 24 horas, obedecer e não se manifestar......Socorrem-se , então, de terapias e... os casais mais jovens temendo que lhes suceda a mesma situação, confidenciam que vão seguir o modelo europeu para terem mais sucesso nos seus casamentos.
GOSTARAM?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

FELIZ ANO NOVO

E velinha mas aqui vai uma receita de jovialidade para todos.

“Deita fora todos os números não essenciais à tua sobrevivência.
Isso inclui idade, peso e altura.
Deixa o médico preocupar-se com eles.
É para isso que ele é pago.

Frequenta, de preferência, amigos alegres.
Os de "baixo astral" põem-te em baixo. Continua aprendendo...

Aprende mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa.
Não deixes o teu cérebro desocupado.
Uma mente sem uso é a oficina do diabo. E o nome do diabo é Alzheimer.
Curte coisas simples.
Ri sempre, muito e alto.
Ri até perder o fôlego.
Lágrimas acontecem.
Aguenta, sofre e segue em frente.

A única pessoa que te acompanha a vida toda és tu mesmo.
Mantém-te vivo, enquanto vives!
Rodeia-te daquilo de que gostas: família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, o que for.

O teu lar é o teu refúgio. Aproveita a tua saúde;
Se for boa, preserva-a. Se está instável, melhora-a. Se está abaixo desse nível, pede ajuda.

Não faças viagens de remorso. Viaja para o Shopping, para a cidade vizinha, para um país estrangeiro, mas não faças viagens ao passado.

Diz a quem amas, que realmente os amas, em todas as oportunidades. E lembra-te sempre de que:

A vida não é medida pelo número de vezes que respiraste, mas pelos momentos em que perdeste o fôlego:

de tanto rir...
de surpresa...
de êxtase...
de felicidade..."

Há pessoas que transformam o Sol numa simples mancha amarela, mas há também as que fazem de uma simples mancha amarela o próprio Sol"

Pablo Picasso

terça-feira, janeiro 02, 2007

Amigo

O pôr do sol de inverno espalha-se pela planície , há um silêncio de vozes, só o som sincopado dos sapatos batendo no cimento dos que te acompanham, como eu, à tua última morada. Como um mantra,repetitivo, igual, quase um japa. Acorda-me a memória, ali, onde és só tu. A tua figura marcante de origem goesa acompanhou-me a vida a espaços. Foste testemunha da minha vida e eu da tua desde os meus vinte anos. Comungámos os estudos, a profissão,o nascimento dos filhos, a dor , a alegria. De ti, homem de poucas palavras, sempre ponderadas e suaves , fica a imensa ternura, a aceitação total do ser humano, de que nunca ouvi uma crítica, somente a explicação; mesmo quando te magoavam, sómente compaixão. Vejo-te à minha espera, no teu jardim, num dos muitos fins de semana passados juntos. Esperavas-me, para me abraçar com ternura, recebendo-me como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo. Davas-te com as refeições sensoriais da tua terra cuidadas ao pormenor, o vinho escolhido, o meio sorriso ternurento quando eu te provocava, desafiando os teus príncipios e valores conservadores, ou a tua fé e religião. Havia apenas uma mão compassiva sobre a minha cabeça, transmitindo a compreensão por outras vias que não eram as tuas. Criaste uma família, com a companheira que amavas e a quem trataste por diminutivo, até ao fim. Ah, que falta me vais fazer neste caminhar pela estrada, que saudade já sinto de descansar da turbulência no oasis que fizeste do teu lar. Até um dia, até um dia, Meu Amigo.