quinta-feira, março 29, 2007

photografia vicente - à descoberta do Funchal


O estúdio fundado em 1848 por Vicente Gomes da Silva foi transformado em museu, sendo, hoje, A Photografhia - Museu “ Vicentes” o mais antigo estúdio de fotografia existente em Portugal. Ao espólio da casa “Vicentes” juntou-se, mais recentemente, o património de originais fotográficos de outras “Casas” do Funchal.
São várias gerações de fotografos...até que nasce o trineto....jornalista!



jornalista descendente de fotografos

Vicente Jorge Silva (Funchal, 1946) é um jornalista, deputado, comentador político e cineasta português.
Co-fundador e primeiro director do jornal Público, foi ele o pai da expressão «Geração Rasca», utilizada num editorial por si assinado por altura das manifestações estudantis contra a então Ministra da Educação (do governo de Cavaco Silva) , Manuela Ferreira Leite.
Ex-deputado pelo Partido Socialista (PS) - eleito pelo circulo eleitoral de Lisboa - ex -colunista do Diário Economico, mantém-se como colunista do Diário de Notícias, tendo passado, também, pelo Comércio do Funchal e Expresso, onde foi director-adjunto.
Nascido no Arquipélago da Madeira, é um dos mais acérrimos criticos de Alberto João Jardim.
Como realizador de cinema foi autor de O Limite e as Horas (1961), O Discurso do Poder (1976), Vicente Fotógrafo (1978), Bicicleta - Ou o Tempo Que a Terra Esqueceu (1979), A Ilha de Colombo (1997). Porto Santo (1997), seu último trabalho no cinema, foi exibido no Festival Internacional de Genebra.
wikipedia

quarta-feira, março 21, 2007

Dia da Poesia

Em homenagem a
uma grande mulher e poetisa:
Sophia de Mello Breyner Andersen



Mar

De todos os cantos do mundo

Amo com um amor mais forte e mais profundo

Aquela praia extasiada e nua,

Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.


Cheiro a terra as árvores e o vento

Que a Primavera enche de perfumes

Mas neles só quero e procuro

A selvagem exalação das ondas

Subindo para os astros com um grito puro.
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Um dos maiores Mestres da Poesia Portuguesa:
Fernando Pessoa
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Para ser grande, sê inteiro: Nada
teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
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Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

ostara

Ostara é o primeiro dia da Primavera. É o momento do ano em que o Sol diretamente acima do equador, fazendo com que noite e dia tenham igual duração. Nesse dia, escuridão e luz são precisamente iguais; então, esse Sabbat traz sentimentos de equilíbrio e interação. Desse dia em diante o dia dominara a noite, ou seja, os dias serão maiores que as noites e a Terra explodirá com vida.
Ostara é celebrado no hemisfério Sul por volta do dia 22 de Setembro e no hemisfério Norte por volta de 21 de Março. Este é o tempo para Rituais de fertilidade, momento no qual a vida se renova.
Ostara, conhecido também como o Equinócio de Primavera, é basicamente um Festival Solar. Na agricultura, sinaliza o tempo em que as sementes são plantadas e começam o seu processo de crescimento. Ostara é tido como um momento de união e amor entre a Deusa (Lua) e o Deus (Sol), pois é um período de igualdade e equilíbrio entre as forças da Natureza, e isso indica também que é o momento ideal para fortalecer a energia de complementaridade entre homem e mulher.
Segundo as crenças da Wicca, em Ostara o Deus (Sol) cresceu, tornando-se um jovem adulto. Ele está passando pela puberdade e suas forças são refletidas na vitalidade e no crescimento das plantas. Ele está crescendo novamente. Com a vitalidade Dele vem o calor da Primavera e o futuro plantio das futuras colheitas.
A Deusa não é tida mais como a Mãe nutridora, mas como uma bonita Virgem da Primavera. Assim como em relação à Natureza esse é o momento de plantar, essa também é hora de cultivarmos nossas "sementes" (metas e objetivos). E o período de celebrar as mudanças de nosso corpo, pois nessa estação do ano ficamos mais ativos, dormimos menos, comemos menos e gastamos mais tempo ao ar livre.
Nesse dia, os antigos pagãos da Europa acendiam fogueiras nos cumes de montanhas, pois acreditavam que o brilho do fogo seria capaz de tornar a terra frutífera e manter suas casas em segurança. O Fogo aceso também simbolizava iluminar os caminhos para que o Sol pudesse retornar a Terra.
A Deusa reverenciada nesse dia é Eostre ou Ostara, que significa "a Deusa da Aurora", uma Deusa anglo-saxã da Primavera, da ressurreição e do renascimento. Estava associada à fertilidade e aos grãos, e oferendas de pão e bolo eram feitas nessa época a ela.
A primeira e mais preservada Tradição Pagã de Ostara é a decoração dos ovos. O ovo simboliza a fertilidade da Deusa e do Deus, o símbolo de toda a criação. Ao decorá-los, estamos carregando-os como Objetos Mágicos, de acordo com as cores que utilizamos. É uma Tradição também esconder os ovos; e achá-los simboliza que a pessoa alcançará suas metas.
Outro simbolismo é o Coelho da Páscoa. Muitos nem se quer percebem que o Coelho é um dos maiores símbolos de fertilidade da Deusa, pois eles levam 28 dias para gerarem e darem à luz aos filhotes; e 28 dias é o ciclo completo de uma lunação. Além disso, a lenda do Coelho da Páscoa tem uma estreita relação com a referente Deusa Eostre, na qual um gentil coelhinho pedia favores a Deusa e em troca botava ovos, decorava-os e presenteava a Deusa com eles. Segundo a lenda, Eostre ficou maravilhada com a beleza dos ovos e ficou tão contente que desejou que toda a humanidade pudesse compartilhar de tamanha beleza e alegria. Assim, o coelho começou a viajar por todo o mundo na época do Equinócio de Primavera, presenteando a todos com seus ovos decorados.
Os símbolos desse Sabbat são as flores e os ovos coloridos. Esses ovos enfeitam o altar e depois são colocados aos pés de árvores ou em vasos com plantas.
Nesse dia, os antigos europeus iam ate o campo para colher flores e as levavam para casa, pois acreditavam que as flores colhidas no Equinócio da Primavera eram mágicas e, através delas, seriam capazes de conectarem a energia de toda a Natureza. Essas flores eram secas e com elas eram feitos ornamentos para enfeitar as casas, até o Ostara do ano seguinte, em que eram trocadas por novas flores, assegurando assim a continuidade de sorte, saúde e felicidade.
Ostara é o tempo da renovação, o momento ideal de passear por jardins, parques, bosques, florestas e outros lugares verdes, fazendo do passeio um verdadeiro ritual, uma celebração da Natureza e da Vida.

primavera


Chegou a Primavera.
É tempo de:
correr de mãos dadas pelos campos de trigo;
parar a contemplar o pôr do sol no mar azul, azul;
sentir o vento morno a acariciar o corpo;
cheirar a terra , recem regada pela chuva;
o coração a bater forte por alguém...

Chegou a primavera, chegou a primavera ......

quinta-feira, março 15, 2007

Vamos limpar a Praia das Pedrinhas (Apúlia)


Airam, Deusa que vai limpar e arrumar o Mundo, sugeriu e muito bem, que comecemos este domingo (dia 18 de Março) por um local que nos é particularmente querido, onde se localiza a sede das deusas - a praia das Pedrinhas na Apúlia -

Quem gosta de passear numa praia suja, cheia de bidões, garrafas, frigoríficos e afins?....pois é, nós também não, por isso, começamos este domingo e vamos continuar todos os meses (3º Domingo de cada mês), vamos falar com o presidente da junta de freguesia, com o padre, com os pescadores, com quem for preciso para termos a praia e as dunas limpas. Ajudem-nos com as vossas sugestões e acções efectivas - karma yoga - .

Que seja!

quarta-feira, março 14, 2007

sentir



Neste dia espectacular...para as deusitas

quinta-feira, março 08, 2007

As mulheres da minha geração

PORQUE HOJE MERECEMOS!
Com um abraço da BORBOLETA

As mulheres da minha geração escrito por Santiago Gamboa
Tradução livre de Luiz Augusto Michelazzo

É o único tema em que sou radical e intolerante, no qual não escutoargumentações: As mulheres da minha geração são as melhores e ponto. Hoje têm quarenta e muitos, inclusive cinqüenta e tal, e são belas, muito belas, porém também serenas, compreensivas, sensatas e sobretudo diabolicamente sedutoras, isto, apesar dos seus incipientes pés-de-galinha ou desta afetuosa celulite que capitoneam suas coxas, mas que as fazem tão humanas, tão reais. Formosamente reais. Quase todas, hoje, estão casadas ou divorciadas, ou divorciadas e recasadas, com a intenção de não se equivocar no segundo intento, que às vezes é um modo de acercar-se do terceiro e do quarta intento. Que importa? Outras, ainda que poucas, mantém um pertinaz celibatarismo e o protegem como a uma fortaleza sitiada que, de qualquer modo, de vez em quando abre suas portas a algum visitante.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
Nascidas sob a era de Aquário, com a influência da música dos Beatles,de Bob Dylan, de Lou Reed, do melhor cinema de Kubrick e do início do boom latino-americano, são seres excepcionais. Herdeiras da revolução sexual da década de 60 e das correntes feministas, que entretanto receberam passadas por vários filtros, elas souberam combinar liberdade com coqueteria, emancipação com paixão, reivindicação com sedução. Jamais viram no homem um inimigo, apesar de que lhe cantaram umas quantas verdades, pois compreenderam que se emancipar era algo mais que colocar o homem para esfregar o banheiro ou trocar o rolo de papel higiênico, quando este tragicamente se acaba, e decidiram pactuar para viver em dupla, essa forma de convivência que tanto se critica, porém, que com o tempo, resulta ser a única possível, ou a melhor, ao menos neste mundo e nesta vida.
São maravilhosas e têm estilo, mesmo quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam. Usaram saias indianas aos 18 anos, enfeitaram-se com colares andinos, cobriram-se com suéteres de lã e perderam sua parecença com Maria, a Virgem, em uma noite louca de sexta-feira ou de sábado, depois de dançar El raton, com algum amigo que lhes falou de Kafka, de Gurdjieff e do cinema de Bergman. No fundo de suas mochilas havia pacotes de Pielroja, livros de Simone de Beauvoir e fitas de Victor Jara, e ao deixar-nos, quando não havia mais remédio senão deixar-nos, dedicavam-nos aquela canção de Héctor Lavoe, que é ao mesmo tempo um clássico do jornalismo e do despeito, e que se chama. Teu amor é um jornal de ontem.
Falaram com paixão de política e quiseram mudar o mundo, beberam rum cubano e aprenderam de cor canções de Silvio Rodriguez e Pablo Milanez, conheceram os sítios arqueológicos, foram com seus namorados às praias, dormindo em barracas e deixando-se picar pelos pernilongos, porque adoravam a liberdade e, sobretudo, juraram amar-nos por toda a vida, algo que sem dúvida fizeram e que hoje continuam fazendo na sua formosa e sedutora madurez. Souberam ser, apesar da sua beleza, rainhas bem educadas, pouco caprichosas ou egoístas. Deusas com sangue humano.
O tipo de mulher que, quando lhe abrem a porta do carro para que suba, se inclina sobre o assento e, por sua vez, abre a do seu acompanhante por dentro.
A que recebe um amigo que sofre às quatro da manhã, ainda que seja seu ex-noivo, porque são maravilhosas e têm estilo, ainda quando nos façam sofrer, quando nos enganam ou nos deixam, pois seu sangue não é tão gelado o suficiente para não nos escutar nessa salvadora e última noite, na qual estão dispostas a servir-nos o oitavo uísque e a colocar, pela sexta vez, aquela melodia do Santana. Por isso, para os que nascemos entre as décadas de 40 e 60, o dia da mulher é, na verdade, todos os dias do ano, cada um dos dias com suas noites e seus amanheceres, que são mais belos, como diz o bolero, quando está você.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!

Mulher

Luísa sobe, sobe a calçada,
sobe e não pode que vai cansada.

Sobe, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Saiu de casade madrugada;
r egressa a casa
é já noite fechada.

Na mão grosseira,de pele queimada
leva a lancheira desengonçada.

Anda, Luísa, Luísa,sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Luísa é nova,desenxovalhada,
tem perna gorda,bem torneada.
Ferve-lhe o sanguede afogueada;
saltam-lhe os peitos na caminhada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Passam magalas,rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.

Anda, Luísa,Luísa, sobe
sobe que sobe, sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;

chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,

puxa que puxa, larga que larga,
toca a sineta na hora aprazada,

corre à cantina, volta à toada,
puxa que puxa, larga que larga,

Regressa a casa
é já noite fechada.

Luísa arqueja
pela calçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada,

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

António Gedeão

dia da mulher


PORQUÊ O DIA 8 DE MARÇO

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

segunda-feira, março 05, 2007

domingo, fevereiro 25, 2007

Escuto



Escuto mas não sei

Se o que oiço é silêncio

Ou Deus


Escuto sem saber se estou ouvindo

O ressoar das planícies do vazio

Ou a consciência atenta

Que nos confins do universo Me decifra e fita


Apenas sei que caminho como quem

É olhado amado e conhecido

E por isso em cada gesto ponho

Solenidade e risco


Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, fevereiro 20, 2007

eu vi......

amar....sem idade

parar no tempo
a forma.....


o criar...



harmonia




um dia de chuva






domingo, fevereiro 18, 2007

carnaval

Para alguns pesquisadores o Carnaval tem raízes históricas que remontam aos bacanais e a festejos similares em Roma; alguns historiadores mais ousados chegam mesmo a relacionar o Carnaval a celebrações em homenagem à deusa Ísis ou ao deus Osíris, no Egito antigo. Uma outra corrente acredita que a festa iniciou-se com a adoção do calendário cristão.
Em Roma havia uma festa, a Saturnália, em que um carro no formato de navio abria caminho em meio à multidão, que usava máscaras e promovia as mais diversas brincadeiras. Essa festa foi incorporada pela Igreja Católica, e segundo alguns a origem da palavra Carnaval é carrum navalis (carro naval). Essa etimologia, entretanto, já foi contestada. Actualmente a mais aceita é a que liga a palavra "Carnaval" à expressão carne levare, ou seja, afastar a carne, uma espécie de último momento de alegria e festejos profanos antes do período triste da quaresma.
Em 1091 a data da Quaresma foi definitivamente estabelecida pela Igreja Católica; como consequência indireta disso, o período de Carnaval se estabeleceu na sociedade ocidental, sofrendo, entretanto, certa oposição da Igreja, na Europa. Embora alguns papas tenham permitido o festejo, outros o combateram vivamente, como Inocêncio II.
À seqüência do Renascimento o Carnaval adotou o baile de máscaras, e também as fantasias e carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual, que se preserva especialmente em regiões da França (ver Mardi Gras), Itália e Espanha.
in wikipedia

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Desapego

“INDRIYARTESHU VAIRAGYAM”

Indriya significa órgãos dos sentidos e artha, objecto. Vairagya vem de raga, paixão ou desejo, unido ao prefixo negativo vi que transforma o significado em desapego. Assim, Indriyartheshu vairagyam significa “um estado de desapego em relação aos objectos dos órgãos dos sentidos” ou “a ausência de uma compulsão pelos prazeres mundanos e posses”.

Raga, é mais do que apenas uma fantasia ou preferência, é o desejo ardente por alguma coisa. Quem está livre de tais desejos é chamado vairagi e seu bhava, estado mental, é chamado vairagyam, um desapego em relação aos objectos dos sentidos. Que significa desapego? Significa colocar uma barreira entre mim e os objectos dos sentidos? Eu deveria dar as costas, não olhar nem ouvir quando houvesse algo que me pudesse fascinar? Não. Desapego não é um estado interior de repressão. È um estado sereno da mente caracterizado pela total objectividade em relação às coisas do mundo, os objectos dos sentidos.

Desapego não é repressão do desejo. Desapego e auto-repressão são estados contraditórios da mente, porque são mutuamente exclusivos. A auto-repressão é estabelecida na presença da paixão, para que seja dominada ou esmagada. No desapego não existe nada que requeira repressão. Nenhum desejo compulsivo comanda a mente do vairagi.

Como pode a mente ser libertada dos desejos compulsivos? Como pode ser alcançada uma natureza de desapego? O desapego é obtido pela clareza em ver os objectos exactamente como eles são: vendo, sem uma distorção subjectiva, como os objectos se relacionam comigo, com minha felicidade e bem-estar.

Basicamente, um ser humano parece se considerar uma pessoa incompleta. Todos os meus desejos compulsivos giram em torno deste sentimento humano de estar sempre faltando algo. A experiência humana comum é a de querer ser uma pessoa completa e a de não se sentir completo na forma em que se encontra. Vendo-me como incompleto, insatisfeito, inadequado e inseguro, eu tento trazer um preenchimento para mim mesmo, através da busca do prazer e da aquisição de coisas. Dedico-me a duas buscas humanas fundamentais: a luta por kama e artha. Kama é a palavra sânscrita que significa todas as formas do sentido do prazer. Kama indica não apenas comer, mas comer como um gourmet, não somente beber, mas beber com um prazer compulsivo. Artha, representa todos os tipos de coisas que julgo que trarão segurança à minha vida: dinheiro, poder, influência, fama e nome.

Como ser humano, não haverá fim para o meu desejo e luta por artha e Kama enquanto me sentir inseguro e incompleto, achando que artha e Kama me podem completar e dar fim à minha insegurança. Enquanto eu achar que artha e kama tem esta capacidade, não serei capaz de obter indriyartheshu vairagyam, desapego pelos objectos. Para ficar livre de tal impulso por artha, coisas e kama, prazeres, eu devo, pela análise e discernimento, reconhecer que nem mesmo um sem número de coisas me pode tornar seguro, nem um grande prazer pode preencher o meu sentimento de vazio. Devo descobrir que a minha batalha para preencher a minha sensação de querer é sem fim. Nenhum acumulo de riqueza é bastante para silenciar a minha ansiedade interior, nenhum prazer suficiente para trazer um preenchimento duradouro.

Todo o ganho de coisas, de qualquer tipo de fortuna, também envolve perda. Nenhum ganho que obtiver através do esforço é absoluto. Todo e qualquer ganho envolve uma perda concomitante: uma perda pelo consumo de tempo e esforço requeridos, uma perda pela responsabilidade assumida, uma perda por qualquer outra alternativa abandonada. Ganho envolve perda. Um duradouro senso de segurança nunca é alcançado por artha.

Quando eu analiso o prazer, encontro o mesmo resultado. A luta humana por prazer não produz contentamento duradouro. (…) Momentos de prazer requerem a concomitante disponibilidade de três factores: disponibilidade do objecto do prazer, disponibilidade do instrumento apropriado e efectivo para apreciar o objecto; disposição mental apropriada para apreciar o objecto. Sendo dependentes destes factores sempre mutantes, momentos de prazer são ocasionais e passageiros. Objectos e instrumentos são limitados pelo tempo. A mente é caprichosa, sujeita a mudanças de humor e à descoberta da monotonia naquilo que era anteriormente desejado.

A análise do prazer mostra que este, assim como posses, falham no meu esforço para encontrar plenitude. (…) Vejo que objectos, buscados para o prazer ou segurança, não me podem dar o que basicamente procuro. Para o desapego este facto deve ser conhecido por mim. Objectos são úteis, mas nenhum deles me pode dar o que realmente desejo. Vejo que não posso achar segurança completa ou duradoura na riqueza, poder ou fama, nem posso encontrar plenitude duradoura em momentos de prazer acumulados.

Quando não deposito a minha segurança, o meu preenchimento, a minha felicidade nestas coisas, alcanço uma visão objectiva delas. Tornam-se somente objectos para mim, os quais posso avaliar pelo que são em vez de pelo que espero deles subjectivamente. Como simples objectos, em vez de se tornarem resposta às minhas necessidades mais profundas, eles assumem as suas reais dimensões. Deixo de lhes dar uma capacidade extra que na realidade eles não têm. Vejo dinheiro como dinheiro, não como uma garantia contra a insegurança. Vejo casa como casa, não como uma fonte de felicidade. Vejo a terra como a terra, não como uma extensão de mim mesmo pela posse.

Vejo todas as coisas como são e não lhes dou nenhum valor subjectivo extra. Quando os objectos são despojados dos valores subjectivos projectados neles por mim – valores que eles parecem ter quando os olho como uma fonte de felicidade – sou objectivo em relação a eles. Sou desapegado. Este é o estado mental de vairagya.

Vairagya é um valor importante, que deve ser entendido correctamente. (…) Vairagya é um estado mental ocasionado pela compreensão, não um estado mental forçado por um compromisso com a auto-negação ou privação. Vairagya não nasce do medo, nem do esforço da vontade, mas sim da pura compreensão. É produzido pela observação, pesquisa e análise sobre o que desejo, por que desejo e o que alcanço com o preenchimento desses desejos. A compreensão produzida por esta análise reduz o mundo a um facto objectivo para mim, liberta-o da confusão da minha própria subjectividade, do emaranhado das minhas ragas e dveshas, meus gostos e aversões que me prendem à felicidade momentânea.

É o meu valor subjectivo pelas coisas que transforma um simples objecto num objecto de valor especial, um objecto peculiarmente importante para mim. Torno-me apegado a tais objectos apenas porque me prendo a eles, não porque eles se prendam a mim. Nenhuma casa me prende, eu me prendo à casa por causa do valor subjectivo que projecto nela. Objectos não me pegam e prendem. Eu os prendo. A prisão está em mim mesmo, nos meus valores subjectivos baseados na incapacidade para compreender as limitações dos objectos, sua impossibilidade de me preencherem. Quando compreendo, a prisão desaparece e vejo as coisas como são. E este estado de ver é chamado indriyarthesthu vairagyam, desapego em relação aos objectos dos sentidos.

O valor dos Valores
Swami Dayananda Saraswati

humor kitsch..dia de S. Valentim

Em nossa homenagem, castanhita!


Garota Solitária
Alzira Espíndola
Composição: Adelino Moreira

Esta noite eu chorei tanto.
Sozinha, sem um bem
Por amor todo mundo chora
Um amor todo mundo tem

Eu, porém, vivo sozinha
Muito triste sem ninguém
Será que eu sou feia?
- Não é, não senhor
Então eu sou linda?
- Ah! Você é um amor!

Respondam então
porque razão
Eu vivo só sem ter um bem?
- Você tem o destino da lua
Que à todos encanta
e não é de ninguém!

Ah! Eu tenho o destino da lua
À todos encanto e não sou de ninguém!

Ora....

Eeheheheh

Como usa o seu tempo?

A morte nasce com a vida e cada ser querido que morre é um exemplo que nos fica da sua vida e uma forte lição para reflectirmos profundamente como usamos o nosso precioso tempo de vida. Vivam agora! Aprendam a fazer um bom uso do vosso tempo antes que seja tarde de mais.

Que seja!


(...)Com o nascimento, certos defeitos vêm: morte, velhice, doença e dor de vários tipos. Não há escapatória deles. Portanto, tenha em mente a natureza da vida. É incerta, dolorosa e move-se em direcção à velhice e à morte. Mantenha a sua mente no propósito da sua vida. Não a desperdice. Lembre-se: o tempo é o devorador do mundo. (...) Não é negativo, mas apenas real. Seu propósito é dirigir a sua atenção para a necessidade de ver a vida objectivamente, como ela é, de forma que você seja capaz de fazer uso do tempo que está disponível. Tempo disponível é tempo precioso. Faça uso dele atenta e conscientemente e, então, você não achará um dia que o tempo passou por você e de repente você envelheceu. (...)

O Valor dos Valores
Swami Dayananda

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

This Is Africa

Diamante de sangue- realizador Eduard Zwick-

Filme intenso, que levanta questões filosóficas sobre a humanidade . Num dialogo um dos protagonistas refere " This is Africa!". Mas, o filme mais que retratar Africa, dá-nos a dimensão do ser humano e do seu caminhar. O poder . O exercicio e o gosto do poder, em função dás posições sociais ou económicas. O Amor. Desde a sua dimensão mais primordial, o de Pais, até ao Amor pela humanidade.
Belo filme que dá que pensar.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Vegetarianismo - Expressão de Ahimsa


(...)O vegetarianismo é um exemplo de como pôr em prática o valor por ahimsa (não violência ou não ofensa).
Muitos argumentos a favor da dieta vegetariana podem ser apresentados, mas o argumento básico que apoia a alimentação sem carne é simplesmente ahimsa.
Na Índia, onde existem mais vegetarianos do que que em qualquer parte do mundo, o vegetarianismo é baseado directamente na tradição védica: Himsan na kuryat (não cause dano)
Por que comer um ovo envolve mais ahimsa do que comer uma beringela?
E um bife a uma abóbora?
Todas as formas de vida necessitam de algum tipo de alimento.
Uma forma de vida alimenta-se de outra. O que é uma tragédia para o pássaro é o jantar para o gato. Sendo este o caso por que não devería o ser humano comer carne? Porque o ser humano não está na mesma categoria sem escolha, como o gato comedor de canários. Ele não pode usar o exemplo do gato como justificativa. Para o gato e outras formas de vida não-humanas, escolher o que comer para o jantar não é problema. Eles seleccionam o seu alimento apropriado por instinto. Eles vem pré-programados, sabendo o que devem comer, somente precisam localizá-lo. O mesmo não se dá com o ser humano que sendo autoconsciente, traz consigo uma livre escolha para determinar diferentes meios para alcançar os objectivos da vida, o que inclui a necessidade básica, o alimento. Não sendo pré-programado, o ser humano deve escolher o tipo de alimento que come. (...)
Todas as criaturas buscam viver livres de sofrimento
É simples ver que todos os seres humanos dão valor à vida. Qualquer ser vivo tenta permanecer vivo, inclusivé as plantas e outras formas elementares de vida. Entretando, também é evidente que todos os seres não parecem ter o mesmo nível relativo de consciência da vida, a mesma habilidade consciente de perceber ameaças à vida ou de lutar para preservá-la. As criaturas no reino animal estão mais perto dos seres humanos do que as plantas no que diz respeito à consciência das ameaças à vida e na sua luta para permanecerem vivas. Animais, pássaros, peixes e todas as criaturas móveis fogem de mim quando sabem que as estou a tentar apanhar para a panela. Quando as consigo agarrar, lutam e gritam. Portanto, não há como não saber que elas não querem ser feridas, que querem viver. Nenhuma criatura móvel quer ser o meu jantar. Uma vez que me foi dado livre arbítrio para escolher o alimento que como para me manter vivo, preciso encontrar alguma norma para me guiar na escolha dessa comida. A dádiva da livre escolha traz consigo a responsabilidade de seguir uma norma ética no exercício dessa escolha. Qual é a norma "dhármica" e de bom senso para a escolha do meu alimento? Os Vedas dizem-me: não cause dano. O meu bom senso diz-me que não deveria fazer de "alguém" o meu jantar, uma vez que não quero ser o jantar de "alguém". O que é um "alguém"? As criaturas vivas que possuem meios para fugir de mim e o equipamento para gritar em protesto ou lutar contra mim são mais um "alguém" do que plantas, enraizadas num lugar que silenciosamente abandonam os seus frutos para serem comidos, em geral, sem isso abdicar das suas vidas.
A escolha ético-racional para a dieta humana
Devido às pesquisas que indicam que uma alimentação vegetariana balanceada é completa e saudável, o uso da carne na dieta não pode ser justificado com base na necessidade nutricional. Se opto por comer carne, esta opção deve ser entendida simplesmente como uma preferência minha. Não há problema em satisfazer essa preferência se não existe nenhuma razão dominante indicando o contrário. No caso de comer carne, existe uma forte razão ética de bom senso para não satisfazer essa preferência, se ela existe.(...) Se insisto em incluir carne na minha dieta, elevando esta decisão ao status ético, deveria colocar-me na mesma condição dos outros animais carnívoros. Para estar na mesma condição eu deveria caçar e matar a minha presa com as mãos vazias, sem o auxílio de armas, expondo-me assim à possibilidade de ser o jantar de "alguém" enquanto procuro outras criaturas para serem o meu jantar. Se não tenciono agir assim, a utilização de animais como alimento será antiética, entrando em conflito com o meu valor parcial pela não violência. (...)
Ahimsa requer sensibilidade e atenção
O valor por ahimsa exige atenção e sensibilidade diárias em todas as áreas da minha vida. É um valor que se expressa na minha atitude em relação às plantas tanto quanto em relação aos seres humanos e aos animais. A destruição cruel da vida vegetal indica uma falta de sensibilidade ao valor ahimsa. Ahimsa é um valor pela não destruição ou não dano a qualquer parte da criação, a criação da qual também sou uma parte. Eu não esmago, desfolho, arranco ou derrubo negligentemente. Com relação aos meus companheiros seres humanos, fico atento às palavras, actos ou pensamentos que possam ser ofensivos. Desenvolvo uma apreciação mais subtil pelos sentimentos dos outros. Passo a ver além das minhas próprias necessidades, compreendendo as necessidades do outro à minha volta. (...)
O Valor dos Valores
Swami Dayananda Saraswati

quarta-feira, janeiro 24, 2007