domingo, maio 27, 2007

Reza da manhã de Maio




Senhor, dai-me a inocência dos animais
Para que eu possa beber nesta manhã
A harmonia e a força das coisas naturais.

Apagai a máscara vazia e vã
De humanidade
Apagai a vaidade,
Para que eu me perca e me dissolva
Na perfeição da manhã
E para que o vento me devolva
A parte de mim que vive
À beira dum jardim que só eu tive


Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, maio 26, 2007

sexta-feira, maio 18, 2007

os dead combo e a memória da provincia

Ao ouvir o Dead Combo, após uma sonolenta entrevista com o "Gato" na Quinta das Leituras ,vieram-me à memória ( porque estavam na reciclagem), os deliciosos "bailes de Finalistas" e outros bailaricos, não menos deliciosos, que havia na provincia. "Conjunto" - leia-se banda- contratado, mesas ladeando as paredes da Grande Sala ( devidamente decorada para a ocasião), lá iam as meninas muito,muito produzidas -vestido de baile ,pois então- acompanhadas da família, que podia ser uma Avó ou uma tia solteirona, para dançarem com os rapazes, de fatinho, gravata ,( ah! ou de capa e batina) e super lavados e perfumados . As meninas e família sentavam-se à mesa, os rapazes apinhavam-se na entrada da Sala. O ambiente era de magia. A música começava, meninas e rapazes , cada um nos seus postos, trocavam olhares prometedores , escolhendo os seus eleitos. Os rapazes não sei de que falavam, as meninas sussurravam entre si e comentavam os olhares e os defeitos, com voz trocista ou quebrada. E, lá vinha um, dirigindo-se à mesa ( para qual das meninas seria?), meio tímido, debruçava-se um pouco ( não muito) sobre a menina e..." A menina dança?", se mais "demodé", porque os mais in, apenas baixavam a cabeça com olhinhos cobiçosos. Ninguém se conhecia. Ah....o fascínio da dança e da descoberta ( bem,bem..). E, dançava-se e flirtava-se até o sol nascer , rodopiando pela Sala, tangos, valsas,rock, twist ,ao som das músicas dos Shadows e outros que tais, para ir trocando telefones e "residências" e, por vezes encetando um namoro ( era assim que se chamava) que muitas vezes terminava em casamento. Verdade.......

quinta-feira, maio 17, 2007

Imaginarius



Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira


Pelo sétimo ano consecutivo, o Imaginarius apresenta-se ao público, alterando a normalidade do quotidiano, reinventando os espaços urbanos e proporcionando a todos uma oportunidade de encontro com o teatro e com a arte.


Juntem-se a este Mundo que flutua entre a realidade e a fantasia, soltando a criança que existe em todos nós.


Consultem a programação em www.imaginarius.pt


Exposição de Fotografia - estaremos SO?

Já que estamos numa de fotografias e fotógrafos, não percam esta....


Patente ao público na Galeria Municipal até ao dia 20 de Maio,
esta exposição faz um apelo directo aos sentidos.

«Ao longo dos últimos milhares de anos, o Homem tem constantemente procurado num ser metafísico superior a si, protecção e amparo para o seu dia a dia. Não sabendo como comunicar com ele, criou vários rituais de devoção, que variam consoante o país ou região a que pertence».

As palavras do fotógrafo António Chaves apresentam deste modo, a mostra fotográfica que retrata o resultado de uma viagem efectuada pelo autor à Índia, sendo composta por imagens de vários locais por onde o Ganges corre. Extrapolações visuais que expressam vários aspectos da cultura e das vivências de uma das mais antigas e diversificadas civilizações do planeta. Além das imagens de António Chaves, destacou-se a presença musical de um dueto de sitar- tablas, sendo ainda acompanhada de algumas especialidades gastronómicas indianas.

Horário de Abertura

2ªf e 6ªf: 9h00 – 12h30 e 14h00 – 17h30

3ªf, 4ªf e 5ªf: 9h00 – 17h30

Sábados, Domingos e Feriados: 15h00 – 18h00

quarta-feira, maio 16, 2007

a pedido


Gianni Candido

quarta-feira, maio 09, 2007

sábado, maio 05, 2007

terça-feira, maio 01, 2007

1º da maio -beltane

Beltane, Bealtaine ou Cetsamhain é um festival de civilizações pagãs na região da Grã Bretanha, ainda comemorada nos dias atuais, reconhecido nas comemorações da Festa da Primavera.
Oposto ao festival Samhain o Beltane, é um festival de luz, simbolizando a união entre as energias masculina e feminina da Terra.
Durante o festival eram acesas fogueiras nos topos dos montes e lugares considerados sagrados, sendo um ritual importante nas terras Celtas. As fogueiras eram construídas de modo especial, onde nove homens levavam nove tipos diferentes de madeira para acendê-las. E como tradição as pessoas queimavam oferendas como, por exemplo, totens ou artefatos animais para que o poder do fogo fosse passado ao rebanho e, pulavam as fogueiras para que se enchessem das mesmas energias poderosas.
Representa o início do Verão e marca a morte do Inverno, sendo comemorado com danças e banquetes.
Ocorre em 1 de maio no Hemisfério Norte e 31 de outubro no Hemisfério Sul.

domingo, abril 29, 2007

Cenas de sábado à noite......




RETRANSMISSIONS: QUATRO COREÓGRAFOS APROPRIAM-SE DA OBRA DE DOMINIQUE BAGOUET

Serralves
Sequiosos de espectaculos de dança, que escasseiam neste Porto, lá vamos nós a Serralves, com um sorriso antecipando o prazer.
No foyer aguardamos meia hora , aguentando o atraso, bebericando um descafeinado.
Lá entramos , em fila tipo Ryanair, directamente para o palco, espectadores rodeando a cena.
Promete.Pensamos. A perfomance fica enquadrada pelos espectadores. Do lado esquerdo uma fila de confortáveis "puf´s". Um de nós aí se senta.
Aguardamos.
Ao meu lado, um homem sentado, casaco preto, cachecol de seda branco, destilando " água-de- colónia" cara, que não consigo identificar mas, que sobe pelo meu nariz, irritativamente.
Comento com outro de nós que se sentou ao meu lado, que me devolve um sorriso largo, bem conhecido e que adoro.
Começa a " perfomance" (?) , saltitam pelo palco, desconexionados, magrinhos e feios. Em silêncio. Repetem os gestos. Monotonamente, à exaustão. As palpebras começam a pesar. Olho para os espectadores. Acometidos de súbita virose, todos apoiam a mão no queixo, e as cabeças caem, cumprindo a lei da gravidade. Nos "puf´s" os jovens que aí se sentaram, esparramam-se dormindo.
Acotovelo, tentado acordar quem me acompanha, atacada que foi pela virose. Sussurramos comentários, que nos causam sucessivos sorrisos. Espectadores vão saindo. Estoicamente aguentamos! entre sussuros e risotas.
A " perfomance" pára. "É sair", é "sair". No "foyer" alinham-se copos de porto. "Será intervalo?". Ninguém quer saber, despejam-se todos para a rua em sonoras gargalhadas!

Ah, percebi. Não era uma "perfomance" ....era uma comédia!

segunda-feira, abril 23, 2007

Balsamão - O Silêncio que se escuta

Escutar o silêncio

Fundir-se com o rio


Contemplar a Beleza de um dia de Primavera


Proteger-se do Sol



Caminhar lado a lado

terça-feira, abril 17, 2007

serralves

o olhar do meu príncipe S.P.

segunda-feira, abril 16, 2007

sokolov -scriabin ( acorde místico)

arredonda-se o vulto negro sobre as teclas do piano negro formando Um, emanando um som místico buscando almas que se aglomeram no Um. Já não sou corpo, apenas sonoridade. O tempo parou.

sexta-feira, abril 13, 2007

escrito da airam

Estranha luz esta.
Percorre-me sem pedir licença.
encontra eco num espaço próprio.
Situa-se entre a claridade e a irisdicência.
Brilho sem nome e nem aroma!
Momentos efemeros.
Compulsão para os reter...
Esvaem-se entre os dedos.
Quase toco
Quase
Limitação.
sinto-a nas minhas estruturas!
Espero.
sem pressa
percorro este caminho.
Tão só!

Da AIRAM postado por maria

airam entre o céu e a terra


tudo é impermanente


quarta-feira, abril 11, 2007

Algarve - Portimão







Ver um Universo num grão de areia,
E um Paraíso numa flor selvagem,
Conter o Infinito na palma da mão
E a Eternidade no tempo de uma hora
William Blake

domingo, abril 08, 2007

Cartografia de Emoções




Páscoa...tempo de colocarmos a nós próprios algumas questões fundamentais sobre o que andamos por cá a fazer. E como a partilha é uma forma de estarmos juntos, querida Maria, aqui vai, directamente da "Cartografia de Emoções" de Nuno Júdice. Obrigada!



Filosofia


Mas o que queremos da vida? É a vida? O que se procura em cada segundo para se perder em cada segundo? O tempo, assim de nada nos serve.
Um dia, dando por nós próprios, perguntamo-nos o que fizemos, por onde andamos, as cidades e casas que percorremos, sem que uma resposta nos satisfaça. A vida, então, limita-se a ser o que fez de nós, sem que o tenhamos desejado, e nada pode ser feito para voltar atrás, nem para restituir os passos trocados de direcção, as frases evitadas no último extremo, o olhar que se desviou quando não devia. Ah, sim – e o amor? É isso que queremos da vida? É verdade: cada um dos abraços que se deram, contando cada instante; o rosto lembrado no auge do prazer, quando um súbito sol desponta dos seus lábios; os cabelos presos nas mãos como se delas prendesse o feixe da eternidade….Assim, a vida poderá ter valido a pena. É o que fica: o que nos foi dado e o que damos, sem que nada nos obrigasse a dar ou a receber; o puro gesto do acaso na mais absoluta das obrigações. Então, volto a perguntar: que outra coisa queremos da vida?

Nuno Júdice in Cartografia de Emoções